Entretanto, a compra do Digimais ainda não é um fato consumado. O acordo está sujeito ao financiamento da operação pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma entidade criada para garantir a liquidez da rede bancária em situações de crise. De acordo com as novas diretrizes estabelecidas após o escândalo do Banco Master, o FGC precisa avaliar outras propostas antes de qualquer liberação de recursos. Apesar disso, especialistas acreditam que é improvável que surjam outros interessados, dada a situação delicada do banco.
Em seu comunicado, o BTG Pactual ressaltou que celebrou “documentos vinculantes para a aquisição do controle acionário do Banco Digimais”. No entanto, a operação está condicionada a várias etapas, incluindo um processo competitivo, a validação da proposta do BTG como vencedora e a obtenção de todas as aprovações regulatórias necessárias, que incluem a anuência do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A busca por um comprador para o Banco Digimais se estendeu por mais de um ano. Durante esse período, diferentes instituições financeiras analisaram a viabilidade de aquisição, mas nenhuma delas se comprometeu a fechar o negócio. O Bluebank chegou a assinar um acordo de compra em 2024, mas desistiu devido a controversas associadas ao Banco Master. O Nubank também manifestou interesse, mas acabou recuando.
Para que a operação se concretize, serão necessários investimentos substanciais. Além do financiamento do FGC, Edir Macedo deverá fornecer recursos adicionais, mantendo o padrão de injeções de capital já visto em 2024, quando foram injetados R$ 250 milhões na instituição.
As projeções indicam que os investimentos totais do FGC no Banco Digimais podem alcançar até R$ 8 bilhões, em um momento em que o fundo já enfrenta demandas significativas, como um deficit de R$ 52 bilhões ligado ao caso Master e uma solicitação de R$ 4 bilhões relativa ao Banco Regional de Brasília.
Atualmente, o Digimais apresenta cerca de R$ 9,3 bilhões em ativos totais e R$ 420 milhões em patrimônio líquido, conforme informações do Banco Central. Com captações em torno de R$ 8,22 bilhões, a instituição enfrenta um passivo exigível de R$ 8,82 bilhões e registrou um prejuízo líquido de R$ 252,6 milhões.
A origem do Banco Digimais remonta a 1981, em Porto Alegre, quando a família Renner, a mesma do conhecido varejo de moda, fundou a instituição para financiar seus clientes. A partir de 2009, uma parceria com a Record foi estabelecida, culminando na compra de 49% das ações por Edir Macedo em 2013. Ele assumiu o controle total do banco em 2020, rebatizando-o com o foco em serviços digitais voltados para a base de fiéis da Igreja Universal.
O banco, no entanto, enfrentou sérias dificuldades a partir de 2024, quando a inadimplência cresceu e sua carteira foi impactada por operações relacionadas ao caso do Banco Master. Auditores relataram a falta de evidências suficientes em relação a cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, o que poderia afetar gravemente o patrimônio da instituição. Recentemente, o Digimais também se viu em uma disputa judicial com um fundo de investimentos devido a vendas de carteiras problemáticas, adicionando mais um capítulo à sua complicada trajetória.






