Ex-goleiro Bruno Fernandes retoma regime semiaberto após descumprimento de condições da liberdade condicional
O ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, cujo nome está intimamente ligado a um dos casos mais emblemáticos de violência contra a mulher no Brasil, viu sua liberdade condicional ser interrompida. Desde 2023, Bruno estava em liberdade condicional após cumprir parte de sua pena de 22 anos, decorrente da condenação pelo assassinato de Eliza Samudio. Recentemente, porém, a Vara de Execuções Penais (VEP) expediu um novo mandado de prisão que o recolocou no regime semiaberto ao constatar que ele havia violado uma cláusula essencial de sua liberdade.
Segundo informações decorrentes da decisão judicial, Bruno se deslocou para o Acre no dia 15 de fevereiro para se integrar ao time de futebol Vasco-AC, ato o qual foi realizado sem a devida autorização judicial. A ordem da Justiça proibia que ele deixasse o estado do Rio de Janeiro, e essa transgressão levou à sua reintegração ao regime semiaberto, que limita as saídas do detento a atividades de trabalho e estudo, sempre sob vigilância.
A trajetória de Bruno começou em 7 de julho de 2010, quando foi preso sob a acusação de ser o responsável pelo assassinato de Eliza. Em março de 2013, ele foi formalmente condenado por homicídio triplamente qualificado, além de sequestro e cárcere privado. Inicialmente, cumpriu sua pena na Penitenciária Nelson Hungria, localizada em Contagem, Minas Gerais. Após alguns anos, Bruno passou por diversas transferências, incluindo a Penitenciária de Francisco Sá e, finalmente, a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) em Varginha, onde teve sua progressão para o regime semiaberto concedida em 2019.
A história de Bruno está indissociavelmente ligada ao desaparecimento de Eliza Samudio, que ocorreu em junho de 2010, quando ela tinha apenas 25 anos. Na época, Eliza e seu bebê de quatro meses foram levados à força para o sítio do ex-goleiro em Esmeraldas, Minas Gerais. O deslocamento foi feito por Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, amigo de longa data de Bruno, e um primo do goleiro, que na época era menor de idade. Em 10 de junho de 2010, após serem levados a um local em Vespasiano, Eliza foi brutalmente assassinada, e seu corpo nunca foi encontrado. O pequeno Bruninho foi resgatado em condições precárias com estranhos em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A história em torno de Bruno e Eliza é um marco trágico na história da justiça brasileira, levantando questões sobre gênero, violência e impunidade.





