BRICS Pay: Novo sistema de pagamentos internacionais busca desdolarização e enfrenta desafios entre membros do bloco até 2030.

O BRICS está prestes a lançar um sistema de pagamentos internacionais conhecido como BRICS Pay, que promete revolucionar a forma como os países membros realizam transações financeiras. Inspirada no sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, e utilizando tecnologia blockchain, essa nova plataforma visa não apenas facilitar comércio entre os países do grupo, mas também reduzir os custos de transação, diversificando as moedas utilizadas nas transações.

A próxima Cúpula do BRICS, marcada para setembro em Nova Deli, India, abordará esse sistema como um dos principais tópicos de discussão. Segundo analistas, como Matheus Cecílio, doutor em economia política internacional pela UFRJ, a implementação do BRICS Pay é uma tentativa de desdolarizar o comércio internacional. Entretanto, ele ressalta que, a curto e médio prazos, o êxito dessa empreitada depende mais de soluções técnicas do que políticas.

O objetivo do BRICS Pay não seria a substituição do dólar americano, mas sim a redução das despesas para os países membros nas transações comerciais, o que poderia representar entre 15% e 20% do comércio internacional até 2030, conforme estimativas do Conselho Empresarial do BRICS. Atualmente, os países do bloco são responsáveis por cerca de 40% do produto global.

Entretanto, a viabilidade do projeto enfrenta desafios significativos, principalmente a necessidade de uma moeda forte que possa sustentar um sistema desse porte. O professor Luiz Antonio Joia, da FGV, acrescenta que a heterogeneidade dos países que compõem o BRICS — com diferentes realidades econômicas, políticas e tecnológicas — apresenta barreiras para a implementação de um sistema unificado de pagamentos.

A questão da escolha da moeda mais apropriada para facilitar essas transações também se mostra complexa. Enquanto a China está em um estágio avançado de digitalização, outros países membros ainda estão em processo de adaptação aos serviços de pagamento digital.

Num cenário mais amplo, o impacto do BRICS Pay poderá ser significativo, mas a realidade mostra que o sistema provavelmente coexistirá com o SWIFT, atraindo transações locais, especialmente de pequenas e médias empresas. No entanto, os analistas alertam que o contexto geopolítico atual é volátil e poderá interferir nas relações comerciais, evidenciado por reações adversas a inovações como o Pix brasileiro, que desafia os modelos tradicionais de pagamentos comandados por gigantes ocidentais.

Diante dessa conjuntura, o BRICS emerge como um testamento das novas dinâmicas nas relações internacionais, refletindo um movimento rumo a uma multipolaridade que pode transformar a ordem financeira global.

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