Nesse processo, o Brasil também participa ativamente, movimentando cerca de US$ 100 bilhões anualmente nas transações com a China, optando por moedas locais. O bloco está em fase de implementação de uma nova ferramenta digital, conhecida como Unidade BRICS, que é fundamentada em blockchain. Essa inovação visa facilitar as liquidações transfronteiriças sem a necessidade do sistema SWIFT, minimizando riscos associados a sanções internacionais.
Embora a criação de uma moeda única ainda seja um tema controverso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem incentivado o aumento do uso de moedas nacionais entre os países membros, enfatizando a importância de práticas comerciais concretas e dinâmicas. Nesse contexto, o BRICS vem estabelecendo uma infraestrutura financeira alternativa por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que desempenha um papel fundamental ao oferecer menores custos e maior previsibilidade cambial para empresas nas nações emergentes.
A relevância do NBD se intensifica à medida que o bloco implementa emissões em yuan, destacando-se como uma alternativa acessível e estável para financiar projetos em economias em desenvolvimento. O fortalecimento do mercado de títulos da China tem atraído a atenção internacional, tornando-se um pilar importante para o financiamento local. Atualmente, o mercado de títulos onshore chinês, impulsionado pela liquidez e estabilidade do yuan, está se consolidando como uma opção de financiamento viável, tanto para investimentos internos quanto externos.
A hegemonia do dólar, que historicamente respondeu por 90% das transações cambiais globais, enfrenta desafios significativos, já que sua participação nas reservas mundiais caiu de 70% para 59% nas últimas duas décadas. O movimento do BRICS, ao promover a utilização de moedas locais e ferramentas financeiras inovadoras, representa um passo decisivo rumo a um novo paradigma econômico global, onde o bloco se posiciona como um agente central na transformação do sistema financeiro internacional.






