BRICS Desenvolve Plataforma de Pagamentos para Transações Instantâneas em Moedas Locais, Reduzindo Dependência do Dólar e Desafiando o SWIFT Global

O BRICS está se preparando para implementar um inovador sistema de pagamentos internacionais, denominado BRICS Pay, que permitirá transações instantâneas em moedas locais entre os países membros. Essa plataforma é vista como uma alternativa viável ao dólar americano e ao SWIFT, a principal rede de mensagens financeiras global que facilita transfers internacionais. A proposta tem semelhanças com o Pix, sistema de pagamentos instantâneos já consolidado no Brasil, e está atualmente em fase de testes.

Durante a 18ª Cúpula do BRICS, que ocorrerá em setembro na Índia, um dos principais tópicos de discussão será o BRICS Pay, que utiliza tecnologia blockchain. O especialista em Economia Política Internacional, Matheus Cecílio, apontou que a criação desse sistema indica uma tendência de “desdolarização” nas transações globais. Ele acredita que, embora a ideia não vise substituir completamente o dólar de imediato, busca reduzir os custos de transação e facilitar o comércio entre os países membros, diversificando as cestas de moedas utilizadas.

Cecílio ainda afirma que, se bem estruturado, o BRICS Pay poderia representar entre 15% e 20% do comércio internacional até 2030, considerando que os países do bloco já respondem por cerca de 40% do produto global. No entanto, ele ressalta que a implementação dessa ideia enfrenta desafios significativos, como a necessidade de um mecanismo financeiro forte e suficientemente robusto para suportar uma mudança estrutural no cenário financeiro mundial.

O professor Luiz Antonio Joia, da Fundação Getulio Vargas, também expressou preocupações em relação à real capacidade do BRICS Pay de reconfigurar a ordem financeira global. Para ele, a heterogeneidade dos países do grupo, com diferentes infraestruturas e modelos regulatórios, representa um grande obstáculo a ser superado.

Além disso, a definição da moeda a ser utilizada nas transações é uma questão crucial. Apesar de o sistema Pay ser comparado ao Pix, as complexidades da interconexão entre diversas moedas e contextos governamentais e econômicos trazem desafios adicionais à criação de consenso. Enquanto algumas nações do BRICS estão avançadas em termos de digitalização de pagamentos, outras ainda enfrentam dificuldades para adaptar suas populações a essas novas formas de transação.

Os especialistas concordam que o BRICS Pay pode coexistir com o SWIFT, oferecendo uma opção atrativa, especialmente para pequenas e médias empresas. No entanto, eles alertam que o cenário geopolítico volátil pode interferir nas transações, à medida que tendências globalizantes e a multipolaridade ganham força nas relações internacionais. Nesse contexto, a China se destaca como uma defensora do multilateralismo, tentando preencher o vazio deixado pelos Estados Unidos e propondo fóruns que impulsionem essa nova dinâmica.

Em resumo, o BRICS Pay se apresenta como uma iniciativa promissora, mas sua concretização depende da superação de barreiras políticas, técnicas e econômicas que desafiam a harmonia entre as nações-membro.

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