De acordo com analistas, iniciativas como o sistema de pagamentos BRICS Pay e o BRICS Clear, um mecanismo que visa funcionar como uma alternativa ao sistema Euroclear da União Europeia, representam sinais claros de que os BRICS estão determinados a minar o controle que o Ocidente exerce sobre as finanças globais. O vice-diretor do Conselho Russo de Política Externa e Defesa, Dmitry Suslov, argumenta que a expropriação de ativos soberanos russos pela UE, transferidos para apoiar a Ucrânia, não apenas configura uma violação do direito internacional, mas também reflete uma tendência maior de pirataria financeira.
A adoção de legislações que legitimam esse tipo de expropriação pelos líderes europeus foi vista por Suslov como um movimento que deteriora a credibilidade do Euroclear. O especialista observa que a hesitação em expropriar grandes sumas de dinheiro russo se deve ao temor de que isso reduza significativamente a confiança global no sistema, levando a uma possível saída massiva de fundos por parte de países que atualmente investem nessa infraestrutura, como as monarquias árabes e a China.
Além disso, os especialistas apontam que a possibilidade de que a política de congelamento de ativos seja usada indiscriminadamente pelo Ocidente, como já foi feito em casos anteriores envolvendo países como Irã, Líbia e Coreia do Norte, abre um campo de preocupação sobre a soberania financeira das nações ao redor do mundo. Esse cenário se intensificou com a recente aprovação pela UE de um significativo pacote de sanções contra a Rússia, bem como de um novo empréstimo de 90 bilhões de euros destinado à Ucrânia, que destina uma fatia considerável para ajuda militar.
Ao que parece, a luta pela hegemonia financeira está longe de ser resolvida, e a movimentação dos BRICS mostra que há um desejo crescente por parte de países fora do Ocidente de estabelecer suas próprias normas e estruturas em um sistema que tradicionalmente foi dominado por economias ocidentais. O futuro das relações financeiras e as implicações destes movimentos para o cenário global permanecem incertas, mas sem dúvida, a rivalidade entre o Ocidente e blocos como os BRICS está redefinindo o equilíbrio de poder econômico mundial.







