A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, explicou que essa nova abordagem incluirá primeiramente crianças e adolescentes entre 2 e 17 anos com diabetes tipo 1, além de pessoas com 70 anos ou mais que possuem diabetes tipo 1 ou 2. De acordo com De Negri, a divisão por faixa etária foi uma estratégia deliberada para garantir uma transição gradual e eficaz na migração dos pacientes para a nova insulina.
A introdução da glargina no SUS ocorre em um contexto crítico, onde a insulina NPH, que representa cerca de 90% do uso em saúde pública, vem enfrentando sérios problemas de desabastecimento global. A nova insulina, que oferece vantagens significativas como maior eficácia e segurança, chega ao mercado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Essa colaboração entre entidades públicas e empresas privadas visa fomentar a produção nacional de tecnologias essenciais para a saúde pública.
Fernanda De Negri destacou que essa iniciativa é uma resposta ao desabastecimento, permitindo uma transição de forma previsível, evitando lacunas no tratamento dos pacientes e oferecendo uma insulina com qualidade superior. Para garantir essa transição, o Ministério da Saúde também instituiu programas de formação para as equipes de Atenção Primária à Saúde e Assistência Farmacêutica. O ministério disponibilizou materiais e conduziu cerca de 130 oficinas em parceria com o Conasems.
A distribuição do medicamento será gerida com base em um planejamento meticuloso, em que estados e municípios poderão solicitar os lotes conforme necessário. Após a entrega, a glargina estará acessível nas Unidades Básicas de Saúde, facilitando o acesso da população ao novo tratamento.
Entre os benefícios da insulina glargina, destacam-se a sua ação prolongada, que proporciona cobertura de até 24 horas, e a redução do risco de hipoglicemia, principalmente durante a noite. A praticidade do medicamento, que não requer preparação antes do uso, também é um grande atrativo em relação à NPH, que precisa ser agitada antes da administração.
Além das estratégias, a secretária ressaltou o impacto positivo do projeto-piloto iniciado em março em estados como Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná. O projeto, focado no atendimento de crianças, adolescentes e idosos com diabetes, possibilitou uma análise em condições reais, ajudando a identificar desafios logísticos e a otimizar a implementação da glargina em todo o Brasil. Essa nova fase no tratamento de diabetes no SUS representa não apenas um avanço na política de saúde, mas um compromisso com a qualidade de vida dos pacientes.





