Comparado ao ano anterior, o Brasil avançou 11 posições e se consolidou como o segundo melhor colocado na América do Sul, atrás apenas do Uruguai, que ocupa a 48ª posição. Apesar das melhoras, a classificação do Brasil é vista como uma exceção em um cenário global predominantemente preocupante, onde muitos países enfrentam um agravamento nas condições de liberdade de imprensa.
Artur Romeu, diretor para a América Latina da ONG responsável pelo levantamento, destacou que o crescimento do Brasil é acentuado em um contexto de deterioração em diversas nações ao redor do mundo. Segundo ele, isso representa um retorno à normalidade nas relações entre o governo e a imprensa, após anos de tensões exacerbadas durante a administração anterior, marcada por ataques frequentes aos jornalistas.
Um dos fatores que contribuíram para esse progresso foi a redução das violações fatais contra jornalistas, já que não houve assassinatos registrados desde a morte de Dom Philips em 2022. Historicamente, entre 2010 e 2022, o Brasil enfrentou a trágica perda de 35 jornalistas. Além disso, o país começou a implementar medidas para proteger o jornalismo e regular os novos desafios impostos pela desinformação e pela regulação das plataformas digitais.
O crescimento do Brasil no ranking é também contextualizado pela deterioração da liberdade de imprensa em outras nações, particularmente nos Estados Unidos, onde a retórica hostil contra a mídia tornou-se parte da estratégia política. Romeu aponta que essa hostilidade tem reverberado negativamente em países vizinhos, como a Argentina, que já perdeu 69 posições desde 2022.
Além de pressões políticas, a instrumentalização do sistema judiciário para intimidar jornalistas é uma preocupação crescente. No Brasil, a luta contra a criminalização do jornalismo continua, em meio a processos judiciais abusivos. Apesar do avanço em muitos indicadores, a confiança da sociedade na imprensa e a intensidade das campanhas de ódio contra jornalistas ainda são áreas que precisam ser abordadas.
Globalmente, a situação é alarmante: mais da metade dos países enfrentam condições críticas em termos de liberdade de imprensa, com a pontuação média atingindo níveis historicamente baixos. Nos Estados Unidos, a administração anterior estabeleceu um padrão perigosamente negativo, que se reflete em uma crescente hostilidade à mídia, resultando em uma das crises mais profundas para a liberdade de expressão na história recente.
Na América Latina, outros países também enfrentaram desafios significativos. O Equador, por exemplo, registrou uma impressionante queda de 31 posições, consequência da crescente influência do crime organizado, que resultou na morte de jornalistas. O panorama evidencia a luta contínua pela liberdade de imprensa, não apenas no Brasil, mas em toda a região e no mundo.
