A participação brasileira no programa Artemis se materializa em três projetos significativos. O primeiro deles é o “Space Farming Brazil”, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em colaboração com a Agência Espacial Brasileira (AEB). Este projeto visa garantir a segurança alimentar dos astronautas, focando inicialmente em duas culturas: a batata-doce e o grão-de-bico. A escolha dessas plantas foi baseada na sua adaptabilidade a condições adversas, além de seu alto valor nutricional. No ano passado, a Embrapa enviou sementes e mudas para o espaço em missão suborbital da Blue Origin, e a expectativa é levá-las em uma futura missão Artemis à Lua.
O segundo projeto brasileiro contemplado dentro do contexto dos Acordos Artemis envolve a utilização de uma oportunidade de “carona” em missões lunares para enviar um satélite desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, revelou que o satélite, com peso inferior a 30 kg, será utilizado para conduzir experimentos científicos focados em dados sobre a Terra.
Por último, o Brasil também almeja contribuir em estudos relacionados à ionosfera, uma camada crucial da alta atmosfera terrestre. Recentemente, Chamon destacou a importância da participação brasileira no programa Artemis durante uma audiência na Câmara dos Deputados, enfatizando o papel do país em questões ambientais e de mudança climática, sublinhando a relevância do setor espacial nesse contexto.
O programa Artemis, promovido pela NASA, visa não apenas o retorno à Lua, mas a criação de uma base permanente no satélite lunar até 2028, facilitando futuras explorações em Marte. A missão Artemis II, por exemplo, marcou a presença humana na órbita lunar após mais de cinquenta anos, estabelecendo novos recordes de distância em relação à Terra. O cronograma prevê que, em 2027, a Artemis III faça novos testes para preparar o terreno para o tão aguardado pouso lunar em 2028.
