Os dados da alfândega chinesa, que refletem o desempenho das importações, mostram uma mudança significativa no cenário global. O Brasil deixou para trás nações tradicionalmente líderes, como a Rússia, que ocupa agora a segunda colocação com importações totalizando US$ 5 bilhões. Em terceiro lugar está a Bélgica, com importações de US$ 3,8 bilhões, seguida pelo Reino Unido, também com US$ 3,8 bilhões, e, por fim, a Austrália, que realizou compras de US$ 3 bilhões no período analisado.
O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que, considerando todo o primeiro semestre, as importações de veículos eletrificados chineses pelo Brasil superaram US$ 5,35 bilhões, representando cerca de 15% de tudo que o Brasil adquiriu da China. O crescimento nas importações é notável: os veículos híbridos plug-in dobraram, alcançando US$ 2,79 bilhões, e os elétricos praticamente quadruplicaram, atingindo cerca de US$ 2 bilhões. No primeiro semestre de 2026, os carros híbridos passaram a responder por 239% a mais em termos de valor importado, subindo de 25ª para 6ª posição em termos de valor.
As importações desses três segmentos de veículos já superam as compras gerais que o Brasil faz da França, que totalizam cerca de US$ 2,6 bilhões. Desde março, os números de aquisição de veículos elétricos e híbridos vêm crescendo ininterruptamente, um movimento influenciado pelas expectativas em relação ao aumento gradual das tarifas sobre os veículos eletrificados.
No início de julho deste ano, as tarifas subiram para 35%, uma mudança que levou os importadores a antecipar suas compras. Além disso, as elevadas barreiras tarifárias impostas por mercados desenvolvidos, como os Estados Unidos e a União Europeia, têm redirecionado o foco das montadoras chinesas para o mercado brasileiro. Com a nova alíquota em vigor, espera-se que o fluxo de veículos chineses se ajuste, embora os volumes possam se manter ou até aumentar, consolidando os carros chineses como uma presença significativa no mercado automobilístico brasileiro.
