Esse fenômeno, denominado “economia prateada”, abrange não apenas os consumidores dessa faixa etária, mas também os empreendedores que aproveitam as oportunidades que surgem a partir de suas necessidades e preferências. À medida que os modelos de negócio evoluem, a necessidade de adaptar serviços e produtos para atender a esse público se torna ainda mais premente. As expectativas incluem ambientes de compra mais acolhedores, como lojas equipadas com melhor iluminação, sinalização clara e atendimento humanizado. Gilvany Isaac, gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, destaca que empreendedores que adotam essas medidas se tornam os preferidos dessa nova clientela.
Gilvany ressalta que a Economia Prateada reflete uma mudança estrutural na sociedade, e que negócios que compreensão essa dinâmica têm grande potencial de sucesso, contribuindo também para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável. João Gualberto de Almeida Teixeira, um aposentado de 70 anos, expressa a importância de um atendimento atento e personalizado, algo que ele tem sentido falta em muitas interações comerciais.
Setores como saúde e bem-estar, turismo e lazer, além de serviços financeiros, despontam como oportunidades promissoras para atender ao público idoso. Gilvany revela que as academias especializadas e telemedicina estão em alta, assim como os cuidadores que se tornam microempreendedores. Além disso, o comércio eletrônico se mostra um campo crescente, embora necessite de estratégias para aumentar o engajamento dessa faixa etária, que é vulnerável a golpes online.
Empreendedores como João Lopes, fundador da Mel Mania, ilustram o potencial desse mercado. Com 54 anos, ele identificou a demanda de consumidores mais velhos e criou um negócio que não apenas atende suas necessidades, mas também capacita a comunidade através da apicultura, promovendo um impacto social positivo.
No Rio de Janeiro, o Sebrae desenvolve iniciativas para incentivar a produtividade entre os mais velhos, abordando um segmento que não só deseja permanecer ativo, mas que também apresenta perfis diversos de empreendedores. Juliana Lima, responsável por um projeto voltado a essa população, destaca que esses indivíduos estão cada vez mais ativos em áreas como gastronomia, economia criativa e moda, desafiando estigmas associados ao envelhecimento.
À medida que a população envelhece, o mercado se adapta, demandando um olhar atento às necessidades e características desta nova sociedade. O futuro promete ser não apenas inclusivo, mas também repleto de oportunidades para aqueles que desejam empreender ou simplesmente buscar uma vida plena e digna na terceira idade.
