Vieira destacou que, desde o início das negociações, a administração brasileira tem efetivamente buscado manter um diálogo aberto com Washington. Ele enfatizou que, desde março de 2025, já ocorreram mais de 30 encontros entre autoridades de ambos os países, em diversas modalidades, incluindo reuniões presenciais e virtuais, envolvendo representantes de diferentes níveis, do presidencial ao técnico.
O ministro não hesitou em classificar as declarações de Rubio como “inaceitáveis” e uma afronta ao governo e ao povo brasileiro. Ele também lembrou que os contatos diretos com Rubio e o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, foram numerosos, incluindo uma reunião significativa entre Lula e o então presidente Donald Trump na Casa Branca.
Sobre o contexto das tarifas, que foram elevadas de 10% para 50% em um movimento que Vieira considera carregar uma “motivação política”, ele criticou a investigação dos EUA, amparada pela Seção 301 da legislação americana, a qual considerou um procedimento unilateral. Ele argumentou que a imposição de tarifas não tem justificativa adequada e se mostrou perplexo com a decisão de ignorar as defesas apresentadas pelo Brasil em relação às alegações de práticas comerciais desleais.
Além de abordar as questões tarifárias, Vieira rejeitou as críticas relacionadas ao sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, e à política ambiental do Brasil, descrevendo as afirmações feitas pelos EUA como absurdas. O ministro garantiu que o Brasil tem se empenhado em reduzir a devastação ambiental na Amazônia e no Cerrado desde 2022, desafiando as narrativas americanas que vinculam a política econômica do Brasil a um aumento no desmatamento.
O mal-estar resultante da situação leva o governo brasileiro a considerar uma série de contramedidas. Uma nota oficial do Planalto classificou a decisão dos Estados Unidos como “unilateral” e “arbitrária”, afirmando que tal ato passará a ser um ponto negativo na história das relações entre Brasil e EUA. O governo informa que buscará agir não apenas por meio de acordos com novos mercados, mas também adotando medidas de apoio às empresas brasileiras afetadas e acionando as normas da Lei de Reciprocidade.
Em meio a esse cenário, o Brasil reafirma sua posição e busca consolidar um futuro comercial que não dependa exclusivamente das relações com os Estados Unidos, diversificando suas parcerias internacionais e defendendo sua soberania econômica.





