Brasil Registra 115 Golpes Virtuais em Dois Anos: Criminosos Usam Pix e Marcas Famosas para Atrair Vítimas, Revela Relatório do Observatório Lupa

Entre maio de 2024 e abril de 2026, o Brasil registrou a circulação de pelo menos 115 conteúdos fraudulentos nas redes sociais, conforme revelam informações recentes de um relatório do Observatório Lupa. A análise mostra que, em aproximadamente um terço desses casos, golpistas optaram por solicitar pagamentos via Pix, utilizandose de promessas de dinheiro fácil e marcas conhecidas para atrair suas vítimas.

Os números são alarmantes: apenas em 2024, foram identificados 17 casos de fraudes até abril; em 2025, esse total saltou para 53, indicando uma crescente incidência desses crimes. O estudo “A Jornada dos Golpes” revela que 57 fraudes se concretizaram no último ano analisado, enquanto 58 ocorreram no ano anterior. Quase três quartos das fraudes prometiam alguma vantagem financeira, com 71% delas oferecendo recompensas via Pix, o que se traduz em um convite tentador para muitos.

A velocidade com que os golpes acontecem é igualmente preocupante. O relatório aponta que uma tentativa de golpe digital ocorre a cada dois segundos no Brasil. Esse dado é fruto de uma pesquisa aprofundada realizada por instituições como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a Federação Brasileira de Bancos. Essa realidade tem gerado apreensão na população, que considera os crimes digitais mais temerosos do que outros delitos físicos, como assaltos.

Adicionalmente, o estudo destaca a sofisticação crescente das fraudes, com criminosos desenvolvendo estratégias de manipulação digital que envolvem a criação de páginas falsas imitando instituições de confiança, como bancos e órgãos públicos. Mesmo com a previsibilidade em suas abordagens—muitas vezes alinhadas a datas comemorativas como Natal ou Páscoa—, a repetição das táticas dificulta o combate.

Outro aspecto crucial abordado pelo relatório é a utilização de marcas famosas para conferir credibilidade aos golpes. Empresas como Mercado Livre e Nubank foram as mais exploradas pelos golpistas, que também recorreram a personalidades públicas e influenciadores para aumentar a eficácia de suas abordagens. O WhatsApp se tornou o principal canal para a propagação dessas fraudes, presente em quase 65% dos casos analisados.

O desafio não se limita apenas a proteger os usuários, mas também envolve a responsabilidade das plataformas digitais que se beneficiam financeiramente com a circulação de anúncios enganosos. A discussão sobre a necessidade de uma atuação coordenada entre empresas de tecnologia, instituições financeiras e órgãos públicos se torna cada vez mais urgente. O contexto evidencia não apenas a vulnerabilidade dos usuários, mas também a necessidade de um reforço nas camadas de segurança, visando uma proteção mais eficaz contra esses crimes que se proliferam cada vez mais.

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