Especialistas têm apontado que a classificação de facções criminosas como terroristas continua sendo uma questão sensível nas relações entre Brasília e Washington. A doutoranda em relações internacionais Yasmim Abril M. Reis, que analisou o evento no contexto de sua pesquisa, sublinhou a importância do Brasil nessa discussão regional. Segundo ela, a participação brasileira em fóruns como a CMDA é vital para consolidar sua liderança no continente, mesmo diante de um cenário político interno instável.
Adicionalmente, Reis alerta que a iniciativa conhecida como “Escudo das Américas”, liderada pelos EUA, poderia esvaziar os debates da CMDA ao reclassificar o narcotráfico como uma questão de terrorismo. Esse movimento, segundo a especialista, não só justifica a presença militar americana na América Latina, mas também enfraquece a soberania das nações da região, especialmente das que têm avançado em políticas de resistência à interferência externa.
No decorrer da conferência, o ministro da Defesa brasileiro, José Múcio Monteiro, pôde se reunir com seu homólogo norte-americano, Elbridge Colby. Na ocasião, os EUA destacaram o Brasil como um aliado estratégico no combate ao narcotráfico. Monteiro manifestou disposição em cooperar, mas sem abrir mão da defesa da soberania nacional, conforme evidenciado na assinatura da Declaração de Cusco.
Embora os EUA busquem consolidar parcerias por meio dessa agenda, a ascensão de governos de direita na América Latina, na chamada “onda azul”, gera um ambiente propício para questionamentos sobre a autonomia dos países da região. Em muitos casos, essa convergência ideológica se traduz em um alinhamento que, ao invés de fortalecer os fóruns multilaterais, promove uma diminuição da soberania regional.
Desta forma, a CMDA se reafirma como um espaço de resistência e diálogo, onde o Brasil tenta articular estratégias que garantam sua liderança e independência em face de pressões externas.
