Araujo, que possui uma sólida formação acadêmica em Engenharia de Pesca e Ecologia, apresentou dados que revelam a concentração do consumo em regiões onde a pesca é uma prática cultural. Na Amazônia, por exemplo, o consumo pode atingir até 40 quilos por pessoa anualmente, e em comunidades pesqueiras tradicionais esse número pode chegar a impressionantes 120 quilos. No entanto, em áreas como o Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o consumo é alarmantemente baixo, com relatos de médias que não ultrapassam cinco quilos.
Outra questão importante abordada foi a venda direta de pescado, especialmente a forma como as novas exigências de documentação podem impactar pescadores de pequeno porte. Araujo expressou a necessidade de um diálogo construtivo sobre a legalidade e a qualidade do pescado vendido diretamente ao consumidor, especialmente nas praias, questionando a obrigatoriedade de passar por sistemas de inspeção, que muitas vezes pode ser um obstáculo para os pescadores artesanais.
O ministro ainda falou sobre o recente Acordo do Rio Doce, uma resposta ao desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem em Mariana, que afetou significativamente a comunidade pesqueira. Araujo detalhou o Programa de Transferência de Renda, que visa amparar os pescadores atingidos, ressaltando que cerca de R$ 500 milhões foram destinados a essa iniciativa, que já beneficiou aproximadamente 20 mil pescadores no Espírito Santo e em Minas Gerais.
O ministro concluiu sua participação no programa ressaltando a prioridade de sua gestão em promover a sustentabilidade da atividade pesqueira, levando em conta tanto a saúde pública quanto o bem-estar dos trabalhadores do setor.
