Brasil precisa implementar políticas públicas de incentivo para aumentar áreas de conservação ambiental em terras privadas, alertam especialistas

O Brasil possui atualmente mais de 530 mil hectares de áreas ambientais protegidas em Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), mas de acordo com especialistas, esse número poderia ser muito maior se houvesse políticas públicas de incentivo. Durante um debate na Câmara dos Deputados, representantes discutiram a possibilidade de o país alcançar a marca de 5 milhões de hectares conservados em propriedades privadas com o devido estímulo.

Jorge Velloso, representante da Confederação Nacional das RPPN, afirmou que se houvesse uma política de fortalecimento, reconhecimento e fomento, o Brasil poderia mostrar resultados ainda mais expressivos para o mundo. Ele destacou que atualmente o Brasil já é considerado o maior exemplo de conservação privada do mundo e ressaltou a importância de investir na conservação da biodiversidade.

Dentre os benefícios defendidos pelos especialistas estão incentivos fiscais, linhas de crédito especiais para criação e manutenção das unidades de conservação e um fundo público de financiamento da atividade. Atualmente, os proprietários de reservas recebem apenas a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR). No entanto, ao criar uma reserva particular, o dono do terreno garante a preservação ambiental de forma permanente, sem a possibilidade de reversão. As únicas atividades permitidas nessas áreas são turismo, educação ambiental e pesquisa.

O deputado Welter (PT-PR) ressaltou a importância de compensar os proprietários de reservas, pois eles têm perdas econômicas ao criar uma unidade de conservação, mas garantem a preservação de espécies da fauna e da flora. Segundo Welter, compensar o produtor é uma política salutar, pois o proprietário deixa de ter renda em cima daquele espaço.

Durante o debate, também foi discutida a restauração de áreas degradadas para que se tornem unidades de conservação. Segundo o doutor em Ecologia Erich Fischer, o país perdeu 96 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2022. O Brasil tem uma meta de restauração de 12 milhões de hectares degradados e o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, considerou a ideia de incentivar a restauração de áreas degradadas louvável.

A deputada Camila Jara (PT-MS), autora do pedido do debate, é relatora de um projeto que prevê incentivos para as Reservas Particulares de Patrimônio Natural (PL 784/19). Segundo ela, é fundamental encontrar formas de estimular a criação de mais unidades de conservação, pois a riqueza ambiental é um dos principais ativos do país.

Assim, fica claro que o Brasil tem um grande potencial para ampliar suas áreas de conservação em propriedades privadas, desde que sejam implementadas políticas públicas de incentivo. Essas medidas trariam benefícios tanto para a conservação da biodiversidade como para os proprietários que abrem mão de sua renda em prol do meio ambiente. É fundamental que o governo brasileiro e a iniciativa privada reconheçam a importância de investir na preservação ambiental e contribuam para o aumento das áreas protegidas no país.

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