Brasil pode superar 25 milhões de doses da vacina contra dengue em dose única ainda em 2023, marcando novo capítulo no combate à doença.

Neste ano, o Brasil projeta ultrapassar a marca de 25 milhões de doses da vacina contra a dengue em dose única, desenvolvida pelo renomado Instituto Butantan. Tal avanço sinaliza uma nova fase no combate à doença, em um contexto onde os casos de dengue atingiram alarmantes 1,6 milhão em 2025, de acordo com o painel do Ministério da Saúde.

Enquanto isso, países latino-americanos ainda enfrentam incertezas quanto à disponibilização dessas vacinas de dose única. Apesar de contarem com outras estratégias para combater a dengue, como o uso de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que limita a transmissão do vírus da dengue, zika e chikungunya, e a vacina desenvolvida pela farmacêutica Takeda, a previsão de quando a vacina de dose única poderá ser acessada permanece indefinida. A complicação para esses países está ligada ao desenvolvimento de uma nova vacina, também em dose única, que encontra-se na última fase de testes, mas ainda carece de cronograma para a solicitação de aprovação pelas agências reguladoras.

Em 2018, o Instituto Butantan e a MSD, uma gigante farmacêutica, firmaram um acordo que não apenas injetou recursos no projeto da vacina brasileira, mas também estabeleceu a troca de conhecimentos científicos. Ambas as vacinas possuem origens semelhantes, fundamentadas em cepas do vírus da dengue preparadas pelo National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos. Apesar da semelhança, as formulações finais e os processos produtivos são distintos, conforme explica German Anez, líder do desenvolvimento clínico da vacina de dengue na MSD. Enquanto o Butantan manterá sua exclusividade no mercado brasileiro, a MSD voltará suas atenções ao restante do mundo.

A MSD está atualmente na fase 3 do desenvolvimento da vacina, que envolve 12 mil voluntários de países como Indonésia, Malásia e Vietnam, com a intenção de iniciar a aplicação em Porto Rico ainda neste ano. Esta fase, conforme exigido pela OMS, continuará a monitorar os participantes por dois a cinco anos após a vacinação.

No Brasil, um programa piloto já foi iniciado para avaliar a eficácia da vacina em três cidades, buscando identificar o ponto em que a imunização se torna coletiva, reduzindo a disseminação do vírus. Em outras regiões da América Latina, a aquisição de vacinas se dá por meio de mecanismos de compras conjuntas, como o Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), com países como Argentina, Colômbia, Peru e Honduras garantindo acesso a doses da vacina da Takeda.

Além das vacinas, outra abordagem promissora é o uso de mosquitos com a bactéria Wolbachia, uma estratégia que avança em várias nações latinas. Em Lima, capital do Peru, está prevista a soltura desses mosquitos para expandir seu controle sobre a dengue. O infectologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ressalta que, apesar das novas tecnologias, é fundamental fortalecer os serviços de saúde para um diagnóstico eficaz e manejo adequado da doença, especialmente em regiões como a Argentina, onde a dengue está se expandindo.

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