Brasil e a Diplomacia com a África: Um Novo Capítulo à Vista
A relação entre Brasil e África tem passado por transformações significativas nos últimos anos, e um foco renovado na diplomacia concreta entre os dois continentes surge como uma necessidade urgente. À medida que a África se reafirma como uma região estratégica no cenário global, especialmente em função de seu potencial econômico e recursos naturais, o Brasil se vê diante de uma oportunidade ímpar para solidificar laços com países africanos.
Em 2025, evidências mostraram que muitos países africanos estavam se distanciando de antigos parceiros europeus, em busca de novas alianças. Essa mudança acentua a discussão sobre temas cruciais como soberania, segurança e controle de recursos naturais. A relevância da África, especialmente em disputas geopolíticas por minerais essenciais para tecnologias futuras, elevou a importância de nações como Angola, Moçambique, Nigéria e África do Sul como interlocutores estratégicos para o Brasil.
Ricardo Caichiolo, especialista em relações internacionais, enfatiza que o potencial de investimentos na África deve ser explorado. “Os países africanos têm tudo a ganhar com o interesse de parceiros externos. O desafio é garantir que essas colaborações se traduzam em benefício para o desenvolvimento local,” afirma. Ele alerta ainda para o risco da “janela demográfica” se converter em um fardo se não forem feitos investimentos robustos em educação e emprego.
Rômulo Neves, diplomata e pesquisador, destaca um entrave importante: o baixo nível de comércio intra-africano, herança das desigualdades criadas durante o colonialismo. Ele aponta que acordos comerciais anteriores foram desfavoráveis para os africanos, dificultando o comércio entre si. A Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), criada para integrar os mercados locais e reduzir dependências externas, surge como um passo significativo para sanar essa lacuna.
Apesar do avanço nos setores de energia e infraestrutura, desafios como a deficiente infraestrutura continuam a limitar o progresso. A China, atualmente o maior parceiro comercial da África, construiu portos e ferrovias, reforçando seu papel. Por sua vez, o Brasil precisa restaurar sua presença no continente, indo além das questões políticas, através de ações efetivas e concretas.
O fortalecimento de iniciativas, como o Fórum de Cooperação América do Sul–África, que foi interrompido, é crucial. Sem uma abordagem renovada e um maior interesse da sociedade brasileira sobre a África, qualquer esforço para reposicionar o Brasil no continente pode ser efêmero. Assim, o país se encontra em um momento definidor, onde a construção de uma diplomacia mais sólida e eficaz poderá abrir caminho para um futuro de cooperação frutífera entre Brasil e África.
