O CNPE, presidido pelo ministro Alexandre Silveira, desempenha um papel crucial na análise e formulação de diretrizes para o setor energético no Brasil, composto por diversas pastas governamentais. O PNM 2050 não só estabelece metas gerais, mas também determinará um cronograma de ações que será detalhado em um novo documento a ser divulgado em até seis meses após a sua publicação, prevista para ocorrer antes do final desta semana.
De acordo com informações extraoficiais, o plano reflete diretrizes que já estão sendo discutidas no Congresso Nacional, particularmente no que diz respeito ao aumento da produção de minerais críticos. Esse esforço abrange levar em consideração as projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) para a demanda futura e o potencial produtivo do Brasil, baseado nas reservas conhecidas do país. A meta é alinhar a capacidade produtiva brasileira com as expectativas de demanda por esses minerais vitais.
Os minerais críticos incluem substâncias essenciais para setores econômicos estratégicos, cuja oferta é limitada a poucos países. Dentre eles, destacam-se lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras-raras. O Brasil possui cerca de 8% da reserva global de lítio, um mineral fundamental para a indústria de baterias de veículos elétricos. Em relação ao nióbio, o país detém impressionantes 93,1% das reservas terrestres, o que o torna um player significativo tanto na indústria quanto em aplicações aeroespaciais.
O impulso na exploração de minerais críticos é estimado para gerar aproximadamente 2,8 milhões de empregos diretos na mineração até 2050, o que elevaria a contribuição do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, aumentando de 3,3% para 4,8%. A estratégia inclui garantir a soberania nacional e a segurança do fornecimento mineral, uma mensagem reiterada pelo presidente Lula em suas abordagens sobre a regulação desses recursos.
Já no campo legislativo, um projeto recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados busca criar um arcabouço de regras que incentivem a exploração nacional dos minerais críticos. A proposta, que aguarda votação no Senado, prevê restrições à exportação de minerais brutos sem processamento e introduz um sistema de incentivos fiscais progressivos. Isso significa que, quanto mais uma empresa avançar nas etapas de beneficiamento dos produtos no Brasil, mais benefícios fiscais ela poderá obter. Os créditos fiscais podem chegar a até 20% dos valores pagos pelos projetos, com um teto de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034, sendo que a concessão desses créditos será proporcional ao nível de agregação de valor realizado no território nacional.
