BRASIL – Milhões de brasileiros deixam de acessar plataformas de jogos e apostas: perfil dos afastados inclui inadimplentes, beneficiários de programas sociais e autoexclusões.

Nos últimos meses, cerca de 5 milhões de brasileiros e brasileiras deixaram de acessar plataformas digitais de jogos e apostas, pelo menos as que são autorizadas. Esse número impressionante representa uma parcela significativa da população ativa cadastrada no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), que chega a 40 milhões de pessoas.

Dentre esse contingente, aproximadamente 800 mil indivíduos foram impedidos de apostar devido a renegociações de dívidas. Além disso, 3 milhões de beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), tiveram seu acesso bloqueado às plataformas de apostas, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). E mais 1,2 milhão de pessoas optaram por se autoexcluir, bloqueando seu próprio acesso às bets.

O perfil daqueles que se afastaram dos jogos revela diferentes motivos. Por exemplo, entre os que foram impedidos devido a dívidas, há mais de 794 mil associados à modalidade voltada a inadimplentes e mais de 33 mil vinculados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Já entre os beneficiários de programas sociais que tiveram seu acesso bloqueado, predominam os participantes do Bolsa Família e do BPC.

Uma parte significativa das solicitações de autoexclusão é motivada pela preocupação com a saúde mental, representando 35,93% dos pedidos. Outros fatores incluem a prevenção do uso indevido de dados por plataformas de apostas (20,63%) e o desejo de evitar o vício no jogo. A plataforma de autoexclusão, disponibilizada desde 2025, também oferece cursos gratuitos para auxiliar consumidores e apostadores no controle de seus comportamentos e finanças.

Com mais de 1,2 milhão de pedidos registrados, a plataforma de autoexclusão se tornou uma ferramenta importante para aqueles que buscam apoio na luta contra o vício em jogos. Além disso, um autoteste de saúde mental está disponível para informar os riscos associados às apostas e direcionar os indivíduos aos pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Essas medidas estão sendo implementadas com o objetivo de proteger a saúde mental e financeira da população, garantindo que o jogo seja uma atividade segura e responsável para todos os envolvidos.

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