Brasil Lança Estratégia Nacional para Terras Raras e Busca Soberania em Indústria Crítica do Século XXI

A crescente demanda por minerais críticos em todo o mundo realça a relevância estratégica do Brasil nesse cenário. Com cerca de 23% das reservas globais de terras raras, o país é um dos protagonistas na corrida por esses recursos, frequentemente comparados ao petróleo do século XXI. Essa riqueza mineral, que inclui elementos essenciais para a transição energética e a produção de tecnologias avançadas, tem atraído a atenção de potências globais, especialmente em um contexto em que a Europa busca reduzir sua dependência de fornecedores externos.

Apesar desse potencial, o Brasil enfrenta um desafio significativo: sua posição nas cadeias globais de valor ainda é insatisfatória. O país, que se destaca como um fornecedor de matérias-primas, tem uma participação modesta nos processos de agregação de valor, como o refino e a fabricação de componentes. Esse cenário é agravado pela dependência do refino de terras raras, que está, em grande parte, concentrado na China. Assim, a necessidade de uma estratégia nacional mais robusta se torna clara.

Recentemente, o governo brasileiro lançou a Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), além de avançar na construção de uma unidade dedicada ao processamento e produção de ímãs permanentes. Essa iniciativa não apenas reflete uma tentativa de romper com um histórico de exploração mineral, mas também levanta questões cruciais sobre como o país pode estruturar parcerias internacionais que promovam a transferência de tecnologia e agreguem valor a esses recursos.

Especialistas enfatizam que o fortalecimento da ENTR é fundamental para que o Brasil não apenas proteja seus interesses, mas também desenvolva uma autonomia tecnológica e industrial. Ana Cláudia Ruy Cardia, diretora de uma consultoria de sustentabilidade, argumenta que o foco deve estar em investimentos de longo prazo, alinhando projetos de inovação com os objetivos de soberania nacional.

No entanto, para que essa ambição se concretize, o Brasil também deve lidar com as realidades geopolíticas atuais, especialmente com a crescente ameaça de potências estrangeiras. A doutora Flávia Loss, especialista em relações internacionais, defende uma abordagem diplomática sólida que priorize a soberania tanto no nível nacional quanto regional, evitando que a América Latina se torne vulnerável a pressões externas.

Além disso, é crucial que o debate sobre o uso sustentável dos recursos naturais avance, evitando que esses ativos se tornem meramente uma nova forma de exploração colonial. O Brasil tem a oportunidade de aprender com as experiências de outros países, impulsionando um desenvolvimento que respeite tanto o meio ambiente quanto as demandas das populações locais.

Por fim, a coordenação federal, liderada pelo Ministério de Minas e Energia, será vital para integrar políticas e orientar investimentos que moldem o futuro da indústria de terras raras no Brasil, transformando seu potencial em realidades concretas e sustentáveis.

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