Especialistas destacam que a robustez nas relações entre Brasil e Rússia pode se revelar uma estratégia valiosa, especialmente em momentos de crise. O diretor de relações institucionais da AGL Cargo, Jackson Campos, ressalta que a atual dependência do Brasil — que obtém 88% de seus fertilizantes por meio da importação — apresenta riscos, mas o alinhamento comercial com a Rússia oferece uma alternativa crucial. Essa relação poderia proporcionar uma resposta mais ágil para os desafios decorrentes da instabilidade regional. Campos também argumenta que, ao lado das importações, o Brasil pode aprender com a estrutura produtiva russa, que integra setores como mineração e indústria química, melhorando, assim, sua capacidade de produção interna.
Por outro lado, Alexis Toríbio Dantas, professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, critica a desintegração da capacidade produtiva brasileira, que ocorreu sob a administração de Jair Bolsonaro. Para Dantas, a busca por uma reindustrialização é imprescindível, e, enquanto o Brasil não retomar sua autonomia produtiva, a parceria com a Rússia e outros países do Oriente Médio se fará ainda mais vital.
Dantas enfatiza ainda que a política de multipolaridade promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode gerar frutos significativos, especialmente nas relações interregionais, como as entre os países que compõem o BRICS. Ele argumenta que a diversificação na importação de fertilizantes — que inclui fornecedores de países como Belarus, Canadá e Egito — é uma estratégia acertada, mas que deve ser acompanhada de um planejamento para a reativação da produção interna.
Os especialistas concordam que, enquanto a importação de fertilizantes pode fortalecer os laços diplomáticos do Brasil, depende-se igualmente de uma reconsideração estratégica da sua capacidade de autoabastecimento para assegurar a sustentabilidade a longo prazo. Essas questões são críticas em um cenário global marcado por conflitos e inseguranças comerciais.
