Brasil Intensifica Importações de Fertilizantes da Rússia em Busca de Fortalecimento Diplomático Durante Crise no Oriente Médio

No último mês de março, o Brasil registrou um aumento significativo nas importações de fertilizantes da Rússia, particularmente em um contexto de crescente tensão no Oriente Médio. Essa movimentação ocorre em meio ao fechamento do estreito de Ormuz, motivado por ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que impactam diretamente as rotas de comércio. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país adquiriu cerca de US$ 331 milhões em fertilizantes, com destaque para US$ 163,1 milhões em potássio e US$ 129,5 milhões em fertilizantes mistos. Essa quantidade representa mais do que o dobro do que foi importado em fevereiro, consolidando a Rússia como o principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil.

Especialistas destacam que a robustez nas relações entre Brasil e Rússia pode se revelar uma estratégia valiosa, especialmente em momentos de crise. O diretor de relações institucionais da AGL Cargo, Jackson Campos, ressalta que a atual dependência do Brasil — que obtém 88% de seus fertilizantes por meio da importação — apresenta riscos, mas o alinhamento comercial com a Rússia oferece uma alternativa crucial. Essa relação poderia proporcionar uma resposta mais ágil para os desafios decorrentes da instabilidade regional. Campos também argumenta que, ao lado das importações, o Brasil pode aprender com a estrutura produtiva russa, que integra setores como mineração e indústria química, melhorando, assim, sua capacidade de produção interna.

Por outro lado, Alexis Toríbio Dantas, professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, critica a desintegração da capacidade produtiva brasileira, que ocorreu sob a administração de Jair Bolsonaro. Para Dantas, a busca por uma reindustrialização é imprescindível, e, enquanto o Brasil não retomar sua autonomia produtiva, a parceria com a Rússia e outros países do Oriente Médio se fará ainda mais vital.

Dantas enfatiza ainda que a política de multipolaridade promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode gerar frutos significativos, especialmente nas relações interregionais, como as entre os países que compõem o BRICS. Ele argumenta que a diversificação na importação de fertilizantes — que inclui fornecedores de países como Belarus, Canadá e Egito — é uma estratégia acertada, mas que deve ser acompanhada de um planejamento para a reativação da produção interna.

Os especialistas concordam que, enquanto a importação de fertilizantes pode fortalecer os laços diplomáticos do Brasil, depende-se igualmente de uma reconsideração estratégica da sua capacidade de autoabastecimento para assegurar a sustentabilidade a longo prazo. Essas questões são críticas em um cenário global marcado por conflitos e inseguranças comerciais.

Sair da versão mobile