O IPC é construído a partir de até 13 indicadores independentes que avaliam a visão de especialistas, pesquisadores e executivos sobre práticas corruptas e a eficácia de mecanismos de prevenção em serviços públicos. Para o caso brasileiro, foram levados em conta oito indicadores, mantendo-se igual ao ano passado. Historicamente, o desempenho do Brasil foi um pouco mais positivo em 2012 e 2014, quando alcançou 43 pontos, mas experimentou um declínio acentuado em 2024, marcando 34 pontos, seu pior resultado.
Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil, ressalta que a estagnação no IPC persiste, mesmo com a crescente visibilidade internacional do Brasil devido às medidas enérgicas do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a corrupção, especialmente no âmbito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Brandão destaca que, apesar das ações de combate à corrupção, o país também foi palco de escândalos de macrocorrupção sem precedentes, como os casos do INSS e do Master, além de criticar a impunidade generalizada que ainda predomina.
Apesar de alguns avanços, especialmente na área de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro, o governo atual enfrenta críticas por falhas significativas, como a captura de agências regulatórias e estatais e a manutenção de um sistema de barganha política associado a emendas parlamentares. O Congresso, por sua vez, tem aprovado legislações que enfraquecem os mecanismos de combate à corrupção, como o relaxamento da Lei da Ficha Limpa.
No cenário internacional, a Dinamarca, a Finlândia e Cingapura se destacam como os países com as melhores notas no IPC 2025. Em contrapartida, na base do ranking, a Somália e o Sudão do Sul apresentam as piores percepções, seguidos pela Venezuela. O Brasil, apesar de estar estagnado, encontra-se próximo de países como Sri Lanka e Argentina, que obtiveram notas semelhantes, mas os desafios persistem diante da necessidade de um combate mais eficaz à corrupção e um sistema político mais robusto e transparente.







