Dada a atual conjuntura política e os discursos críticos proferidos anteriormente por esses líderes em relação à administração dos Estados Unidos, é esperada uma discussão sobre a atual guerra no Irã. No entanto, especialistas alertam que, apesar de suas críticas, Brasil, Colômbia e Espanha mantêm laços estreitos com Washington e qualquer ação concreta contra a política estadunidense parece improvável neste encontro.
Charles Pennaforte, professor de geopolítica, ressalta que a dependência europeia dos Estados Unidos é significativa, tanto em esferas políticas quanto militares. Pedro Sánchez, entretanto, emerge como uma voz discordante dentro da União Europeia, enquanto Brasil e Colômbia desfrutam de uma relação melhor com a Casa Branca, permitindo-lhes ser mais diretos nas suas críticas.
Robson Cardoch Valdez, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, acredita que a reunião simboliza uma busca por caminhos alternativos dentro do progressismo, sem o desejo de romper totalmente com instituições ocidentais tradicionais. Ele enfatiza que a Espanha continua a atuar em conformidade com os interesses dos EUA, mantendo relações comerciais e de segurança.
O Fórum Democracia Sempre é visto como uma plataforma para os três líderes articularem uma visão política comum que se oppose ao intervencionismo e às imposições econômicas. Juntas, essas nações têm a capacidade de formar coalizões em fóruns multilaterais, como a CELAC e a ONU, para criticar práticas consideradas imperialistas. Contudo, a eficácia desse movimento será limitada pelas relações interdependentes que mantêm com os Estados Unidos.
Esta convergência de líderes progressistas reflete a metáfora de um novo capítulo nas relações internacionais, onde vozes latino-americanas buscam protagonismo, mesmo cientes das barreiras impostas pela dinâmica global.
