Brasil entre os 20 países com mais fraudes online, com recorde de queixas no FBI e perdas financeiras que superam US$ 20 bilhões em 2025.

O Brasil se destaca como um dos 20 países com maior incidência de queixas de cibercrime, conforme dados recentes divulgados pelo Centro de Reclamações de Crimes na Internet (IC3), do FBI. No contexto de um aumento expressivo de fraudes online, o ano de 2025 foi marcado por um recorde de reclamações, somando mais de um milhão em todo o mundo. Somente as perdas financeiras acumuladas ultrapassaram a impressionante marca de 20,87 bilhões de dólares, refletindo um crescimento de 26% comparado ao ano anterior.

Com 2.686 queixas, o Brasil se posiciona entre as nações com mais registros, ao lado de países como Canadá, Índia, Japão e Reino Unido. Essa realidade se torna ainda mais alarmante ao observar os canais de transferência de dinheiro, com Hong Kong emergindo como o principal destino das transações fraudulentas, seguido pelo México e Indonésia. O FBI ressalta que crime organizado internacional, muitas vezes envolvendo vítimas brasileiras, faz uso de rotas financeiras bem definidas para ocultar atividades ilícitas. As autoridades americanas colaboram com a Polícia Federal do Brasil na captura de criminosos.

O relatório indica que as fraudes cibernéticas representam 85% dos prejuízos totais, com golpes de investimento sendo os mais reportados. Paralelamente, dados preocupantes indicam que adultos acima de 60 anos foram os mais impactados, com perdas estimadas em 7,7 bilhões de dólares, um crescimento alarmante de 59% em relação ao ano anterior. Os golpistas se disfarçam de representantes de instituições financeiras e empresas tecnológicas, pressionando essa faixa etária a entregar ativos valiosos.

Crianças e adolescentes também não estão a salvo, com um aumento significativo nos casos de sextorção, onde vítimas são chantageadas com imagens íntimas. Em 2025, foram mais de 75 mil registros nessa categoria, com perdas financeiras atingindo quase 13 milhões de dólares.

A fraude de investimento em criptomoedas se destacou como a mais lucrativa, gerando 8,6 bilhões de dólares em perdas, das quais 7,2 bilhões provinham de golpes associados a criptoativos. Os criminosos, muitas vezes organizados em grupos no Sudeste Asiático, utilizam estratégias persuasivas, como o estabelecimento de relacionamentos por meio de redes sociais para enganar suas vítimas.

Em resposta a esse cenário alarmante, o FBI lançou a Operação Level Up, que visa identificar e notificar vítimas antes que elas sofram perdas substanciais. Em 2025, mais de 3.780 indivíduos foram alertados, evitando perdas estimadas em 225 milhões de dólares. Além disso, o IC3 implementou iniciativas de recuperação de ativos, congelando processos que visavam recuperar 1,16 bilhão de dólares em transferências fraudulentas, com uma taxa de sucesso que alcançou 58%.

Esses dados revelam a crescente complexidade e gravidade dos crimes cibernéticos, sinalizando a necessidade de maior conscientização e colaboração entre instituições para combater essa onda de delitos que afeta uma vasta parcela da população mundial.

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