O ministro da Fazenda, Dario Durigan, inicialmente sinalizou que o Brasil poderia retomar a aplicação da Lei de Reciprocidade, uma medida que visaria responder à nova política tarifária americana. No entanto, após alguns dias de discussão e pressão, o governo adotou um tom mais moderado e descartou a ideia de retaliação imediata. Esse movimento parece refletir uma estratégia de contenção, uma vez que o Brasil, segundo especialistas, possui uma dependência significativa do mercado norte-americano, que tem um peso consideravelmente maior em suas relações comerciais.
Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, expressou seu ceticismo em relação à possibilidade de reversão das tarifas, alertando que o Brasil precisa adotar uma abordagem mais criativa nas negociações. Ele afirma que uma postura de constante retaliação poderia resultar em novos aumentos tarifários, prejudicando ainda mais o país em relação aos seus principais parceiros comerciais.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu um alerta sobre o impacto devastador que essa medida pode ter sobre as exportações brasileiras, que devem alcançar cerca de US$ 11 bilhões. Os impactos esperados incluem uma redução de até US$ 1 bilhão no fluxo comercial, além de uma potencial queda de 0,03% no PIB do Brasil. Setores específicos, como o de madeira processada, clamam por ações efetivas do governo, enfatizando a necessidade de proteção não apenas dos empregos, mas também da continuidade das relações comerciais.
Com esta nova tarifa, o Brasil se posiciona como o segundo país mais afetado pelas tarifas norte-americanas, apenas atrás da China, fazendo ressurgir preocupações sobre a sustentabilidade econômica das relações comerciais bilaterais. A indecisão do governo brasileiro em sua postura diplomática aumenta as interrogações sobre como serão administradas as futuras diálogos comerciais com Washington.
