Em resposta a essa situação crítica, um projeto inovador está sendo conduzido, envolvendo a Universidade de Glasgow em parceria com quatro instituições brasileiras, com a finalidade de investigar a interseção entre riscos ambientais e vulnerabilidades sociais. Com o intuito de aprimorar a qualidade de vida nas favelas e em comunidades urbanas, a pesquisa fundamenta-se em um modelo de Laboratórios Urbanos Participativos. A iniciativa terá atuação nas cidades de Curitiba (PR), Natal (RN) e Niterói (RJ), e se estabelecerá em três eixos principais: a coleta e análise de dados para embasar políticas públicas; o fortalecimento do engajamento comunitário em intervenções climáticas; e a criação de conhecimento que promova intervenções eficazes em saúde e adaptação às mudanças climáticas.
O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Paulo Nascimento, ressalta a importância desse projeto ao enfatizar que ele visa potencializar as capacidades de adaptação às mudanças climáticas, com ênfase na saúde das pessoas que residem em áreas vulneráveis. A ideia é nordunar o uso de dados gerados pela comunidade com a análise de grandes bases de dados nacionais, de maneira a criar políticas públicas que levem em consideração as desigualdades sociais e ambientais.
Com um investimento superior a R$ 14 milhões, oriundos da fundação britânica Wellcome Trust, o projeto PACHA (Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) contará com a participação da PUCPR, do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da FGV EAESP, do Centro de Integração de Dados em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CIDACS/Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A abordagem transdisciplinar proposta conecta líderes comunitários, formuladores de políticas, cientistas sociais, climatologistas e profissionais da saúde. Juntos, esses especialistas buscarão mapear vulnerabilidades considerando questões de gênero, raça e faixa etária, transformando essas evidências em ações públicas práticas e estratégias de adaptação eficazes para enfrentar os desafios climáticos.
