Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, a marca alcançada é uma indicação clara da consolidação dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. Nos últimos meses, a média de emplacamentos desse segmento tem crescido a uma taxa mensal de 15%. Além disso, destaca-se que 42% dos veículos eletrificados emplacados foram produzidos no Brasil, um avanço considerável em relação aos 23% registrados em 2025.
Calvet também abordou a importância da produção local para a indústria automobilística. Ele enfatizou que empresas que operam no Brasil há anos possuem uma cadeia de suprimentos robusta, além de um conhecimento profundo do mercado e das preferências dos consumidores locais. Assim, ele defendeu que as novas montadoras, incluindo as chinesas, deveriam estabelecer bases de produção no país para garantir uma competividade saudável no setor.
De fato, a presença crescente de veículos importados da China tem se tornado notável, com 54,2 mil unidades desembarcadas nos três primeiros meses de 2026, um aumento de 68,9% em relação ao ano anterior. A Argentina, anteriormente principal fornecedora, perdeu essa posição para os exportadores chineses, que se consolidaram como os maiores exportadores para o Brasil nos últimos oito meses.
Calvet reafirmou que a Anfavea não se opõe à entrada de capital estrangeiro, mas ressalta a necessidade de um debate sobre o modelo de produção do país. Ele with indagou sobre a situação da isenção de impostos de importação para kits de veículos eletrificados, que foi encerrada no final de janeiro. Ele não acredita que essa isenção seja reinstaurada, e a Anfavea continua a focar em um modelo de produção que favoreça a montadoras locais e a geração de empregos.
Com a busca por um ambiente competitivo saudável em mente, a Anfavea está colaborando com o governo em estudos que avaliam a competitividade da indústria nacional em relação a outros mercados globais. Assim como as medidas adotadas por países como os Estados Unidos e a Europa para proteger suas indústrias locais, Calvet defende ações que garantam a sustentabilidade do ecossistema produtivo brasileiro.
Recentemente, o setor automotivo brasileiro vivenciou um aumento acentuado nas vendas: março de 2026 foi o melhor mês para emplacamentos desde 2013, com um total de 269,4 mil unidades registradas. Essa elevação, em comparação com fevereiro, aponta para um crescimento que pode trazer esperança para o futuro do mercado. Entretanto, Calvet continua cauteloso, devido às oscilações nas taxas de juros e nas condições internacionais, como a volatilidade do preço do petróleo e do dólar.
Em resumo, a ascensão dos veículos eletrificados e o fortalecimento da produção local evidenciam o potencial de crescimento da indústria automobilística brasileira. Porém, desafios permanecem, requerendo atenção e ações estratégicas para garantir um futuro competitivo e sustentável.





