Os especialistas destacam que a baixa competitividade dos produtos brasileiros no mercado russo é um dos principais obstáculos. O Brasil exporta principalmente commodities, como carne bovina, café e soja, enquanto a Rússia fornece itens de alto valor agregado, como derivados de petróleo e fertilizantes. Giovana Branco, doutoranda em ciência política, pontua que a indústria brasileira carece de produtos que possam seduzir o mercado russo. Ela argumenta que, apesar das potencialidades na construção civil e saúde, o Brasil não exerce uma posição competitiva suficiente nessas áreas.
Além disso, a questão logística é um entrave significativo. A distância geográfica entre as nações e os altos custos de transporte em ambas dificultam o comércio eficiente. Branco menciona o conceito de “Custo Brasil”, referindo-se aos desafios logísticos enfrentados pelas empresas brasileiras, que têm seu equivalente na Rússia, onde a concentração de recursos em determinadas áreas cria dificuldades na distribuição.
Durante o encontro, Mishustin também enfatizou a importância da desdolarização nas transações comerciais, uma discussão que se alinha com os interesses dos cinco países que compõem o BRICS. Iniciativas como a Taskforce de Pagamentos do BRICS visam facilitar as transações entre os países do bloco sem depender do dólar americano.
Por fim, tanto Branco quanto Rafaela Mello Rodrigues de Sá, da McMaster University, reforçaram a relevância do intercâmbio cultural e educacional entre Brasil e Rússia. Elas argumentam que iniciativas que promovem a troca de conhecimentos e experiências poderiam abrir novos caminhos para a cooperação econômica, criando um ambiente propício para o desenvolvimento industrial e científico, beneficiando ambas as nações no longo prazo.






