Dentre os brasileiros presentes, destacou-se Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia, que ressaltou a relação histórica entre Brasil e Rússia no setor energético, especialmente no campo nuclear. Albuquerque defendeu que a Rússia pode ser um aliado fundamental na transição do Brasil de plantas de carvão para pequenos reatores nucleares, um passo importante para a modernização do setor energético nacional. Ele revelou que o Brasil já está em conversações com a Rosatom e outras empresas para viabilizar a substituição da geração de energia à base de carvão por fontes nucleares ao longo das próximas décadas, incluindo o desenvolvimento de um microreator nuclear, previsto para ser concluído em dois ou três anos.
Além disso, o ex-ministro abordou o potencial brasileiro em terras raras, um recurso estratégico para a transição energética. Segundo ele, parcerias com empresas dos países do BRICS serão cruciais para que o Brasil possa efetivamente explorar e processar esses minerais.
Albuquerque também fez questão de mencionar a relevância do gás natural, que desempenha um papel essencial na produção de fertilizantes. O Brasil, que atualmente importa a maior parte de seus fertilizantes, está em negociações com a Rússia para contratos de longo prazo de Gás Natural Liquefeito (GNL), abrangendo não apenas a agricultura, mas também a geração de energia e a indústria.
Floriano Pesaro, diretor da Apex Brasil, enfatizou a importância da colaboração com a Rússia no setor de fertilizantes e apontou que a ampliação da produção nacional é necessária. Ele sugeriu que investimentos russos poderiam ser atraídos para estabelecer uma produção local, aumentando a oferta de insumos essenciais para a agricultura brasileira.
O deputado federal Nelson Padovani também contribuiu para as discussões, defendendo que o Brasil deve expandir suas relações comerciais, não se limitando à exportação de produtos in natura, mas investindo em produtos com maior valor agregado. Ele citou a necessidade de explorar melhor as capacidades tecnológicas da Rússia, especialmente em áreas como saúde.
Finalmente, Padovani alertou que as atuais sanções econômicas poderão ser superadas e que é fundamental cultivar relações sólidas entre países, independentemente das flutuações em suas relações diplomáticas. Ele concluiu que, embora as dificuldades financeiras estejam presentes, a resiliência das relações Brasil-Rússia se mostrará frutífera no longo prazo.
