Brasil e Rússia Buscam Fortalecer Relações Econômicas em Reunião de Alto Nível com Potencial de Cooperativas e Investimentos Mútuos em Diversas Áreas

Em uma reunião de alto nível realizada nesta quinta-feira, o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin enfatizou a importância de construir parcerias sólidas com a Rússia, com uma abordagem que vai além da conjuntura atual. Alckmin declarou que, para uma cooperação efetiva, é fundamental que os interesses estruturais dos dois países sejam bem compreendidos e respeitados. Embora não tenha abordado diretamente a questão do conflito entre Rússia e Ucrânia, ele destacou as características complementares das economias brasileira e russa, bem como o potencial inexplorado da relação bilateral.

Segundo Alckmin, tanto Brasil quanto Rússia são nações de grande porte, com uma vasta base produtiva e riquezas naturais estratégicas. Essas características, aliadas à capacidade tecnológica e aos mercados internos significativos, criam um cenário favorável para a ampliação e diversificação das relações comerciais e econômicas entre os dois países. “A combinação dessas forças gera oportunidades reais para intensificarmos nossa cooperação”, afirmou o vice-presidente.

A comitiva russa, chefiada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, incluiu seis ministros e representa diretamente o presidente Vladimir Putin, que se encontra impossibilitado de viajar para o exterior devido a pendências legais. Durante o encontro no Itamaraty, Alckmin ressaltou que, apesar do comércio bilateral ter atingido cerca de 11 bilhões de dólares, esse valor ainda é considerado modesto diante das potencialidades de ambas as nações. Ele apontou a necessidade de aumentar o intercâmbio comercial com um foco em maior valor agregado e balanço nas trocas.

Alckmin também abordou as prioridades da agenda bilateral, que incluem a cooperação em várias áreas, como agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável. Ele apontou que, para isso, é essencial promover a integração produtiva das duas economias e fomentar parcerias empresariais, além de um diálogo técnico mais robusto.

A política econômica do governo brasileiro, segundo Alckmin, gira em torno de uma estratégia de neoindustrialização, que visa a inclusão, a sustentabilidade e a inovação. Ele manifestou interesse em atrair investimentos russos em setores variados, incluindo energia e infraestrutura. Por outro lado, também identificou oportunidades para empresas brasileiras expandirem suas operações na Rússia, especialmente em segmentos como alimentos processados e tecnologia agrícola.

Em relação aos números, em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu 10,9 bilhões de dólares, com as exportações brasileiras representando apenas 0,4% do total. As transações incluem produtos significativos como carne bovina, café e soja, enquanto as importações russas para o Brasil foram dominadas por combustíveis e fertilizantes. O vice-presidente concluiu sua fala com a expectativa de que as diretrizes definidas no encontro irão fomentar investimentos produtivos e parcerias que promovam um crescimento sustentável para ambas as economias.

Sair da versão mobile