Durante a audiência, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou dados alarmantes sobre o vício em celulares no Brasil. Segundo a ComScore, mais de 170 milhões de brasileiros utilizam regularmente as redes sociais, o que representa quase 80% da população. Embora as redes sociais tragam muitos benefícios, também têm efeitos negativos para a saúde. Estudos indicam que o uso excessivo do celular está relacionado a problemas psicológicos, como depressão, além de aumentar o tempo médio que os brasileiros passam nas redes, que já chega a 46 horas por mês.
Um estudo da Unesco também levantou preocupações sobre o uso massificado de celulares nas escolas. O psiquiatra Cristiano Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas da USP, lamentou a inclusão cada vez mais precoce das tecnologias nas escolas brasileiras, mesmo com a conclusão da Unesco de que a tecnologia nas escolas não proporciona benefícios.
Abreu defendeu a criação do Conselho Superior da Internet no Brasil, reunindo gestores, empresas, especialistas e usuários para analisar dados, promover pesquisas, definir políticas públicas e desenvolver campanhas de conscientização sobre os malefícios do uso excessivo de novas tecnologias.
No entanto, Lourival Martins, representante do Ministério da Educação, argumentou que o uso do celular e de outras tecnologias no ambiente educacional pode ser benéfico, desde que os professores e profissionais estejam capacitados para mediar a abordagem, conscientizando jovens e adolescentes sobre o uso educativo, produtivo e consciente dos celulares.
Para lidar com o problema do vício em celulares, Maria Aparecida Cina, chefe do Departamento de Saúde Digital do Ministério da Saúde, anunciou a criação de um grupo de trabalho que terá como objetivo desenvolver ações e campanhas educativas sobre o uso otimizado do celular pela população. Esse grupo também poderá propor políticas e projetos legislativos. O senador Girão ainda solicitou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que a Casa seja representada nesse grupo de trabalho.
Durante a audiência, também foram apresentados estudos que correlacionam o uso excessivo do celular a problemas de saúde, como perda de foco, transtorno do déficit de atenção, problemas cognitivos, câncer na cabeça e ansiedade patológica. Henrique Bottura, do Instituto de Psiquiatria Paulista (IPP), defendeu a criação de políticas contra o vício em celulares e a proibição de apostas em jogos online para menores de idade.
No geral, a audiência pública evidenciou a necessidade de conscientização sobre os malefícios do uso excessivo de celulares e novas tecnologias, bem como a implementação de políticas públicas e campanhas educativas para lidar com o vício em celulares no Brasil. O envolvimento do poder público, da sociedade civil e de especialistas é fundamental para enfrentar essa “epidemia” e garantir o bem-estar da população.
