Brasil e Índia Ampliam Cooperação em Setores Estratégicos: Da Transição Energética ao Comércio Bilateral

A relação entre Brasil e Índia, que remonta à criação de laços diplomáticos em 1947, tem se intensificado consideravelmente nas últimas décadas, especialmente a partir dos anos 90. A participação de figuras importantes, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que visitou Nova Deli em 1996, marcou um ponto de virada decisivo, estabelecendo bases para a cooperação bilateral. Em anos recentes, ambos os países têm se engajado em fóruns como o BRICS, reforçando suas alianças no contexto do Sul Global.

Um marco de destaque foi a implementação do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, inspirado pelo sistema indiano, que revolucionou a bancarização no país asiático. Isso demonstra como os dois países podem se inspirar mutuamente em inovações tecnológicas, algo que tem gerado um impacto significativo nas economias de ambos. Em 2020, a balança comercial entre Brasil e Índia alcançou cifras recordes, com um volume de US$ 15 bilhões, refletindo um crescimento robusto nas trocas comerciais. As exportações brasileiras para a Índia incluem petróleo bruto, minério de ferro e açúcar, enquanto o país asiático fornece fertilizantes e produtos farmacêuticos.

A professora Marianna Albuquerque, do Instituto de Relações Internacionais da UFRJ, observa que, apesar de ainda não haver uma integração completa nas rotas comerciais, há uma forte vontade de aprofundar essa conexão. A diversificação nas parcerias comerciais se torna cada vez mais relevante, especialmente diante das políticas tarifárias de potências como os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem promovido reuniões estratégicas com o primeiro-ministro Narendra Modi, resultando em pelo menos oito acordos em áreas como tecnologia, saúde e energia. Uma meta ambiciosa foi definida: alcançar um comércio bilateral de US$ 30 bilhões até 2030. O setor de inteligência artificial, com seu potencial de superar US$ 500 bilhões nas próximas décadas, é um dos focos dessa cooperação.

Além disso, a transição energética impulsiona a parceria, uma vez que o Brasil possui uma matriz energética predominantemente renovável, enquanto a Índia ainda se apoia fortemente em combustíveis fósseis. O Brasil pode se tornar um fornecedor estratégico de minerais críticos e terras raras necessários para acelerar a eletrificação da economia indiana.

Por outro lado, a colaboração em defesa tem sido um marco importante, remontando acordos da década de 1960 que focavam no uso pacífico da tecnologia nuclear. Com a crescente demanda por desenvolvimento de capacidades de defesa, os países estão envolvidos em diálogos para fomentar know-how mútuo.

A agricultura também representa uma área significativa de oportunidade, especialmente com a Índia sendo um dos maiores consumidores globais de alimentos. O mercado de lácteos, em particular, tem grande potencial devido à alta demanda por produtos lácteos no país asiático.

Finalmente, a Índia, reconhecida como a “farmácia do mundo”, tem se beneficiado do apoio do Brasil na flexibilização de patentes, permitindo o crescimento de sua indústria farmacêutica. O fortalecimento dessa relação pode resultar em um compartilhamento ainda mais amplo de insumos e materiais essenciais, moldando um futuro promissor para a cooperação entre as duas nações.

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