Brasil é excluído da lista da UE para exportação de carne por falta de garantias sobre uso de antibióticos na produção.

Nesta terça-feira, a União Europeia anunciou uma nova lista de países autorizados a exportar carne para o bloco, de acordo com as rigorosas normas de controle no uso de antibióticos na pecuária. O Brasil, no entanto, não está entre os países incluídos na relação, o que levanta questões sobre as práticas de criação de gado no país.

A lista, aprovada pelos Estados-Membros da UE, favorece nações como Argentina, Colômbia e México, que demonstraram conformidade com os critérios sanitários estipulados pela UE. As autoridades em Bruxelas explicaram que a ausência do Brasil se deve à falta de garantias suficientes quanto à não utilização de determinados antimicrobianos em sua agropecuária.

Essa exclusão não é definitiva, pois representantes europeus indicaram que, se o governo brasileiro atender às exigências propostas, é possível que a lista seja atualizada em breve. O contexto em que essa decisão é tomada é significativo, marcado pela pressão crescente de produtores agrícolas europeus e de governos de países como França, especialmente após a implementação provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Iniciado em 1º de maio, o acordo ainda aguarda um veredicto judicial na Europa, que avaliará sua legalidade. A publicação da lista é vista como um movimento estratégico por parte da UE, servindo como um sinal de compromisso com padrões sanitários elevados em meio a críticas de agricultores locais que temem a concorrência desleal.

“O compromisso de nossos agricultores com os mais altos padrões de saúde e controle antimicrobiano é indiscutível. É justo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. Esta decisão evidencia que nosso sistema de controle é eficaz”, comentou Christophe Hansen, comissário europeu para a Agricultura. As normas da UE proíbem categoricamente o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento animal e restringem o uso de antibióticos que são cruciais no tratamento de infecções humanas.

Essas diretrizes fazem parte da estratégia da União Europeia para combater a resistência bacteriana a medicamentos e reduzir a dependência de antibióticos na pecuária, refletindo um compromisso crescente com a saúde pública e a segurança alimentar. A inclusão ou exclusão de países na lista terá impactos significativos nas relações comerciais e na imagem internacional do Brasil no setor agropecuário.

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