Brasil busca domínio em minerais críticos para fortalecer indústria, diz diretor do BNDES, ressaltando a urgência e necessidade de parcerias internacionais.

O Brasil, detentor de vastas reservas de minerais críticos, enfrenta o desafio de transformar essa riqueza natural em produtos de alto valor agregado. Isso inclui tecnologias essenciais como baterias, veículos elétricos, equipamentos de defesa, turbinas eólicas e semicondutores. José Luiz Gordon, diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enfatiza a importância da política industrial para garantir que o Brasil não apenas extraia, mas também valorize esses minerais.

De acordo com Gordon, instituições financeiras internacionais, como OCDE e FMI, já reconhecem a necessidade de uma política industrial forte. Ele destaca a “Nova Indústria Brasil” como uma estratégia na qual o BNDES atua como um suporte financeiro crucial. O banco tem formado parcerias com grandes empresas como Petrobras e Vale para promover inovações no setor mineral. Com a Vale, foi estabelecido um Fundo de Investimento em Participações (FIP) que busca apoiar startups de mineração, permitindo que empresas em fase inicial consigam recursos para explorar depósitos minerais.

Além disso, uma nova linha de financiamento, em colaboração com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), foi criada para promover o beneficiamento mineral, etapa onde o valor é agregado aos minérios. Gordon menciona que já foram qualificados 56 projetos, somando entre R$ 45 bilhões e R$ 50 bilhões em potencial de investimento.

Outros mecanismos financeiros, como o Fundo Garantidor da Exportação, estão disponíveis para auxiliar pequenas empresas, muitas delas ainda em estágio inicial. O foco é garantir que essas empresas tenham as garantias necessárias para obter financiamento.

O Brasil está ciente da urgência em desenvolver seu setor mineral, mas essa evolução não deve ignorar a responsabilidade ambiental. Gordon enfatiza que a mineração pode gerar rejeitos tóxicos, e a gestão responsável do meio ambiente será um pré-requisito para qualquer projeto apoiado pelo BNDES. A política socioambiental do banco é rigorosa, e essa abordagem não será compromissada em nome da urgência do desenvolvimento.

O executivo conclui que o Brasil deverá adotar uma postura de colaboração com investidores globais, oferecendo parcerias vantajosas, desde que essas colaborações visem a valorização dos recursos locais. Assim, o país se posiciona não apenas como um fornecedor de minerais, mas como um elo estratégico no cenário global de produção de alta tecnologia.

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