O governo brasileiro rechaça a justificativa apresentada pela administração americana, alegando que a imposição dessas tarifas se baseia em supostas práticas desleais por parte de 59 países e da União Europeia, além de apontar que a política comercial protecionista dos EUA carece de fundamentação legal. O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, dizem as autoridades, já forneceu ampla documentação e explicações sobre as medidas adotadas para coibir a importação de bens gerados sob trabalho forçado.
O Brasil é reconhecido internacionalmente por seus compromissos em relação ao combate ao trabalho escravo, sendo signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto os Estados Unidos ratificaram apenas dez. O país sul-americano também ratificou os quatro principais instrumentos da OIT que abordam a questão do trabalho forçado, em contraste com os Estados Unidos, que somente assinaram um desses acordos.
A nota ressalta ainda que os acordos de livre comércio do Brasil e do Mercosul, firmados com países como Chile, União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio, contêm cláusulas relacionadas à erradicação do trabalho forçado e ratificam a aplicação dessas proibições.
Além disso, o governo brasileiro pretende intensificar as ações contra o comércio de produtos relacionados ao trabalho forçado por meio de uma abordagem integrada em suas políticas nacionais. Isso inclui fiscalização rigorosa, prevenção, acolhimento de vítimas após resgates e responsabilização de empresas e indivíduos envolvidos em práticas de trabalho escravo. Nesse contexto, o Brasil mantém uma lista pública de empregadores que se beneficiam de tais práticas, a famosa “Lista Suja”.
Por fim, face ao que consideram uma decisão arbitrária e infundada por parte dos Estados Unidos, as autoridades brasileiras anunciaram que iniciarão os procedimentos necessários para ativar mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, além de levar a questão para o âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa situação ilustra uma fricção nas relações comerciais entre os dois países e levanta questões relevantes sobre direitos humanos e normas laborais em nível global.
