Os impactos dessa tragédia ecológica afetam diversas espécies, incluindo aquelas já ameaçadas de extinção, como o tamanduá-bandeira, a onça-pintada e a própria anta. Essas criaturas muitas vezes atravessam a estrada em busca de alimento e água, expondo-se a um grave risco.
As ações do governo têm se concentrado em medidas para mitigar esses acidentes. Em novembro de 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a instalação de cercas condutoras e passagens para fauna ao longo de até 170 quilômetros da rodovia, além de reforçar a sinalização. O plano, já aprovado no final de 2024, inclui a construção de estruturas subterrâneas e aéreas, adaptações de bueiros e redução da velocidade em trechos críticos. Essa abordagem é baseada em estudos que identificaram as áreas de maior risco para os animais.
Ainda assim, grupos ambientalistas expressam preocupação com a lentidão da execução dessas obras, alegando que várias delas estão inacabadas. Para intensificar a proteção da fauna, o governo de Mato Grosso do Sul ampliou o programa “Estrada Viva”, que inclui a instalação de telas de proteção, radares e campanhas educativas voltadas aos motoristas. Municípios como Aquidauana, Miranda e Corumbá participam ativamente de ações de monitoramento, resgate e orientação ambiental, contando com o apoio da Polícia Militar Ambiental e de instituições locais.
Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem realizado vistorias técnicas na BR-262, buscando identificar ajustes necessários e pressionando por uma implementação mais eficaz das passagens e cercas.
Entre 2017 e 2020, a rodovia registrou 6.650 mortes de animais em um trecho de 339 km que vai de Campo Grande até a ponte sobre o Rio Paraguai. Entre as vítimas estão espécies ameaçadas como o tamanduá-bandeira e o lobo-guará. Essa grave situação é acentuada pela topografia da região e pelo comportamento noturno da fauna, que aumenta o risco de atropelamentos, especialmente durante a estação chuvosa, quando a fragmentação dos habitats e o aumento do tráfego veicular se intensificam.
Especialistas em ecologia de estradas apontam que este trecho da BR-262 é o mais crítico do país em termos de impacto sobre a fauna silvestre, afetando até 88 espécies. Além das antas e tamanduás, jacarés e diversas aves também são frequentemente encontrados mortos nas margens da estrada, refletindo um sério problema que demanda urgentemente soluções efetivas.







