Boulos Critica Retrocessos em Relatório sobre Trabalho de Entregadores por Aplicativo e Defende Condições Mais Justas

Na última quarta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, expressou sua insatisfação quanto ao recente relatório sobre a regulamentação do trabalho dos entregadores por aplicativo, que foi elaborado pelo deputado Augusto Coutinho, do partido Republicanos de Pernambuco. Durante uma entrevista concedida ao canal SBT News, Boulos fez questão de ressaltar que o novo parecer divulgado representa um retrocesso em relação à proposta que havia sido apresentada em dezembro.

“O parecer anterior do relator estava significativamente mais favorável do que o que foi divulgado agora. Lamentavelmente, a versão mais recente trouxe retrocessos que não podem ser ignorados”, declarou Boulos, evidenciando sua preocupação com as condições de trabalho dos entregadores.

O relatório de Coutinho apresenta duas opções para a remuneração dos trabalhadores que atuam em plataformas de entrega. A primeira proposta sugere um pagamento fixo de R$ 8,50 por entrega para trajetos que não ultrapassem 3 quilômetros de carro, ou 4 quilômetros a pé, de bicicleta ou motocicleta. A segunda alternativa estipula uma remuneração baseada no tempo de serviço, com um valor mínimo por hora correspondente a dois salários mínimos, ou R$ 14,74.

Entretanto, é importante destacar que o texto não incorpora as recomendações feitas por um grupo de trabalho que teve a coordenação de Boulos e que reuniu representantes de motoristas de aplicativos. Este coletivo havia sugerido um valor mínimo de R$ 10 por corrida, além de um adicional de R$ 2,50 para cada quilômetro adicional em viagens que ultrapassassem os quatro quilômetros. Essa proposta também incluía a remuneração integral para entregas agrupadas, visando valorizar ainda mais o trabalho dos entregadores.

As críticas de Boulos refletem a preocupação crescente com a precarização do trabalho nas plataformas digitais, que tem sido um tema central nas discussões sobre direitos trabalhistas no Brasil. O debate sobre as condições de trabalho dos entregadores é cada vez mais relevante, especialmente diante do crescimento exponencial dos serviços de entrega durante e após a pandemia. Boulos e seus apoiadores acreditam que uma regulamentação justa é essencial para garantir a dignidade e a segurança desses profissionais, que desempenham um papel fundamental na economia moderna.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo