Entre as investigações que ainda cercam o ex-presidente, destacam-se dois dos inquéritos mais controversos em andamento: o das fake news e o das milícias digitais. Esses casos, que refletem preocupações sobre a propagação de desinformação e sobre o uso de plataformas digitais para fins ilícitos, continuam a ser acompanhados atentamente.
Recentemente, a investigação sobre a chamada “Abin Paralela”, que investigava a participação de Bolsonaro em um esquema de espionagem ilegal que visava monitorar opositores, foi arquivada pelo ministro Alexandre de Moraes. O arquivamento ocorreu após a análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu que as informações obtidas já eram suficientes para embasar a condenação de Bolsonaro por sua tentativa de golpe em 2022. No entanto, o inquérito será encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para que as apurações sobre Carlos Bolsonaro, seu filho, prossigam.
Outro caso relevante envolve o desvio de joias recebidas por Bolsonaro enquanto estava no cargo. A PGR não apresentou denúncias, justificando que não existe legislação clara sobre como os presentes dados a presidentes devem ser tratados, o que dificultou a tipificação de qualquer crime. Apesar disso, o ministro Moraes ainda não encerrou formalmente essa investigação.
No âmbito da pandemia de covid-19, Bolsonaro é investigado por supostamente incitar a população a não usar mascaras e disseminar informações enganosas sobre vacinas, o que inclui associar vacinas à AIDS. A PGR já havia solicitado o arquivamento desse inquérito, mas as investigações ainda estão em aberto, com movimentações recentes, como a solicitação de cooperação internacional.
Além disso, Bolsonaro enfrenta uma apuração relacionada a uma suposta interferência na Polícia Federal, questão levantada pelo ex-ministro Sergio Moro. Em outubro do último ano, a PGR pediu a reabertura do inquérito, após a conclusão de que eram necessárias novas diligências.
O ex-presidente também é uma figura central em um inquérito sobre os eventos do 8 de janeiro, quando ocorreram movimentações golpistas. Após a divulgação de um vídeo postado por Bolsonaro, ele alegou, em depoimento, que a publicação foi um erro, mas a situação continua a ser monitorada pela Justiça.
Por último, a investigação que examinou a validade do cartão de vacinação de Bolsonaro, que levou à imputação de crimes como associação criminosa, foi arquivada pela PGR por insuficiência de provas. O ex-presidente também é alvo de uma investigação sobre o vazamento de informações relacionadas a um ataque hacker no TSE, no qual é acusado de violar sigilos de investigações para prejudicar a imagem do sistema eleitoral.
Com um panorama recheado de inquéritos e acusações, a situação jurídica de Jair Bolsonaro continua a atrair a atenção da sociedade e do sistema judiciário brasileiro, enquanto as consequências de seu mandato ainda reverberam em diversos âmbitos.
