No que diz respeito ao PL da anistia, os bolsonaristas admitem que atualmente não há clima político para a votação da proposta, especialmente após a Polícia Federal revelar detalhes de uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O projeto foi retirado da Comissão de Constituição e Justiça por Arthur Lira (PP-AL), com a promessa de criar uma comissão especial para analisar o mérito, o que acabou complicando sua tramitação.
Além disso, o PL do Aborto, que equipara o procedimento após as 22 semanas ao crime de homicídio, também está parado na Câmara desde abril, após pressões de setores da sociedade contrários ao texto. Mesmo com a promessa de Arthur Lira de criar um grupo de trabalho para debater o projeto, o colegiado ainda não foi formado e o projeto permanece parado na Casa.
Para as lideranças bolsonaristas, o PL do Aborto seria mais “simples” do que o PL da Anistia, uma vez que o texto sobre a interrupção da gravidez já teve um requerimento de urgência aprovado na Casa. No entanto, diante do atual cenário político e das dificuldades enfrentadas pelos projetos, a expectativa é de que ambos os temas só sejam retomados em 2025, quando a nova composição da Câmara dos Deputados estiver estabelecida.
Assim, a agenda legislativa bolsonarista sofre um revés, com a necessidade de adiar as discussões sobre temas sensíveis e controversos para o próximo ano, em meio a um contexto de instabilidade política e social no país.
