Com essa mudança, os impactos económicos esperados foram discutidos por especialistas em economia. MARTÍN MOREIRA, economista, alerta que a nova estrutura permitirá o retorno de compradores atacadistas ao mercado, aumentando o risco de elevação dos preços para os consumidores. Em suas palavras, o mercado “vai estabelecer os preços de acordo com sua conveniência”, o que pode atuar como um fator de contenção na competitividade para o setor privado.
Esse decreto é parte de uma tendência que se iniciou durante o governo de Luis Arce, quando já se buscava a liberalização do setor. Além disso, a retirada do diesel da classificação de substâncias controladas traz consigo riscos adicionais. MOREIRA expressa preocupação com a possibilidade de que grandes quantidades de diesel sejam distribuídas sem controle, potencialmente facilitando o acesso de narcotraficantes a esse combustível.
O contexto econômico da Bolívia é considerado delicado, com críticas às administrações do Movimento ao Socialismo (MAS), que supostamente deixaram um legado de crise econômica e escassez de combustíveis. Acusações contra ex-presidentes, incluindo Evo Morales e Luis Arce, mencionam o agravamento da situação no setor, com alegações de corrupção na YPFB.
As medidas visam reativar a economia em setores como mineração e agricultura, propondo-se a superar as dificuldades impostas pela atual crise. O governo declarou “Emergência Energética e Social”, uma condição que permite a flexibilização de processos administrativos para facilitar a aquisição de produtos. O economista OMAR VELASCO observa que essa declaração, normalmente utilizada em situações críticas, confere ao governo a capacidade de contornar regulamentos com o intuito de agilizar ações em um contexto econômico adverso.
O Ministério dos Hidrocarbonetos, em comunicado, celebrou as mudanças, afirmando que o novo controle sobre os preços estabelecidos para os combustíveis busca fortalecer o abastecimento e criar um mercado competitivo. O congelamento dos preços da gasolina e do diesel, que permanecerão por seis meses, mostra uma tentativa de estabilizar o mercado diante das flutuações globais. No entanto, a possibilidade de um ajuste futuro nos preços não pode ser descartada, especialmente à luz das incertezas econômicas que cercam o país.
Os analistas também anteveem que a unificação do câmbio pode resultar em desvalorização da moeda e, consequentemente, em um aumento nos preços dos combustíveis, refletindo as dificuldades contínuas que a Bolívia enfrenta nesse setor.
