Bolívia Declara Estado de Exceção para Encerrar Bloqueios e Restaurar Ordem nas Estradas Após 51 Dias de Protestos

No último sábado, 20 de junho de 2026, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de exceção em todo o país, uma medida radical com o intuito de pôr fim a 51 dias de bloqueios que prejudicaram severamente o setor produtivo e o transporte de bens essenciais, como alimentos e combustíveis. A decisão foi tomada após uma série de manifestações que exigiam a renúncia do governo, que assumiu o poder em novembro de 2025. O movimento, que contou com a participação de várias organizações, incluindo a Central Operária Boliviana (COB) e a Federação Camponesa Tupak Katari, encontrou resistência constante por parte das autoridades.

Após o decreto, equipes policiais e militares foram deslocadas para as rodovias do país, onde a maioria dos bloqueios havia, aparentemente, sido abandonada. As operações ocorreram sem maiores incidentes, e o governo espera que a normalidade nas estradas seja restabelecida em até 48 horas. Antes de recorrer a essa drástica decisão, o presidente Paz havia tentado manter o diálogo com os manifestantes, priorizando a negociação e evitando o uso da força militar, mesmo tendo o respaldo legal para tanto.

Com a recusa de alguns grupos em aceitar um acordo pacífico, o governo decidiu que o estado de exceção deve durar 90 dias, ressaltando que o principal objetivo é liberar as estradas e garantir que as cidades não sejam afetadas negativamente. Paz declarou que a medida não tem a intenção de restringir a vida social, mas sim de restaurar a liberdade de movimentação dos cidadãos.

A reação à declaração do estado de exceção é mista. Especialistas como o analista político Álvaro del Pozo consideram a ação uma medida necessário, dada a pressão crescente de setores empresariais e sociais por uma solução. Del Pozo evidenciou que o governo estava ciente das consequências econômicas desse impasse, e que a intenção era, doravante, reparar os danos e restaurar o fluxo econômico no país.

Por outro lado, há críticas consideráveis a essa abordagem. Tata Emilio Cisneros, um cacique indígena, expressou seu descontentamento com o governo atual, alegando que as promessas de campanha não foram cumpridas e que a administração de Paz estava favorecendo apenas as elites, abandonando o compromisso com os pobres.

Enquanto os protestos continuam em algumas áreas, como nos Trópicos de Cochabamba, onde Evo Morales ainda exerce influência, o futuro político da Bolívia permanece incerto. As autoridades afirmam que estão preparadas para intervir se a situação se agravar, mas enfatizam que o objetivo é a pacificação e o retorno à normalidade. Assim, a continuação do diálogo e a disposição para negociar com os setores insatisfeitos são cruciais para garantir a estabilidade no país nas próximas semanas.

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