Bolívia busca apoio do FMI após desvalorização do boliviano e convulsões sociais que impactaram a economia do país, confirma ministro da Economia.

Na última segunda-feira, o governo da Bolívia anunciou sua intenção de buscar um empréstimo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em resposta à desvalorização do boliviano e às graves implicações econômicas resultantes de um período de 54 dias de tumultos sociais no país. A declaração foi feita pelo ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, que enfatizou a necessidade urgente de reforçar as finanças nacionais. A medida vem à tona em um momento crítico, já que o novo regime cambial, que introduziu um sistema de câmbio flexível, somente foi implementado no mesmo dia, fixando a cotação da moeda em 9,73 bolivianos por dólar, após mais de 15 anos de um câmbio fixo a 6,96.

Espinoza, na sua comunicação, deixou claro que a busca por esse financiamento internacional não é um ato de submissão a exigências do FMI, mas antes uma estratégia necessária para garantir a estabilidade econômica da Bolívia. O governo, sob a liderança do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025, já havia firmado acordos de financiamento em outras frentes, totalizando cerca de US$ 8 bilhões. Esse montante inclui empréstimos de US$ 3,1 bilhões do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e outros US$ 4,5 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A administração de Paz também tem promovido uma série de reformas significativas, como a remoção dos subsídios aos combustíveis e um aumento de 20% no salário mínimo, além da flexibilização das políticas bancárias, permitindo que instituições financeiras realizem devoluções parciais de depósitos em dólares. Essas medidas visam restaurar a confiança na economia nacional, que foi duramente atingida pelas tensões sociais que marcaram a transição de governo.

O panorama econômico da Bolívia apresenta desafios significativos, e as decisões recentes do governo refletem um esforço para reverter a deterioração financeira e estabilizar a moeda. Enquanto isso, a população aguarda ansiosamente os desdobramentos dessas políticas, que buscam não apenas enfrentar a crise atual, mas também proporcionar um caminho sustentável para o futuro econômico do país.

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