Mercadante enfatizou a importância de agregar valor ao mineral, ressaltando que o Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo (23% do total global), não deve se limitar a ser um mero exportador de commodities. Ele destacou a necessidade de investir em ciência e tecnologia para impulsionar a industrialização no setor. Neste contexto, mencionou a dependência dos Estados Unidos dessas matérias-primas, onde 86% dos componentes eletrônicos requerem terras raras.
Para apoiar essa iniciativa, o BNDES estabeleceu um fundo bilateral com a mineradora Vale, visando ajudar pequenas empresas do setor, conhecidas como empresas juniores, que frequentemente representam o início do ecossistema de mineração no país. Já foram recebidos 56 projetos para análise, além do lançamento iminente de um edital em conjunto com a FINEP, que conta com recursos não reembolsáveis voltados para inovação.
Mercadante também informou que o banco está em Nova York, participando de reuniões com fundos internacionais, o que indica um crescente interesse por parte da comunidade financeira global no potencial do Brasil nesse setor. Para fortalecer essa posição, o BNDES já injetou R$ 5 bilhões em iniciativas voltadas para o clima, estimulando outros R$ 15 bilhões provenientes de investidores internacionais.
O presidente do BNDES traçou um paralelo entre a exploração de minerais críticos e a soberania nacional, sugerindo que, para que o Brasil possa negociar de forma competitiva com potências como os Estados Unidos e a China, é fundamental ter um planejamento estratégico e capacidade de investimento no setor.
No âmbito da inovação, o BNDES já lançou mais de 650 novos medicamentos e atua em conjunto com montadoras como Volkswagen e Toyota para o desenvolvimento de veículos híbridos no Brasil. Além disso, investimentos significativos também estão sendo direcionados para o setor de segurança pública, através de um acordo com o Supremo Tribunal Federal, que garante R$ 10 bilhões para a reestruturação do sistema prisional, incluindo inovações tecnológicas.
Mercadante finalizou ressaltando que a atual agenda ambiental do BNDES, que inclui o plantio de 280 milhões de árvores com investimentos de R$ 7 bilhões, é reflexo de um Brasil que busca uma matriz energética renovável, conquistando destaque internacional.
