A Black Friday, um evento tradicional de grandes promoções que acontece na última sexta-feira de novembro, desempenhou um papel crucial, pois marca o início das compras natalinas. Essa data especial está repleta de ofertas, tanto em lojas físicas quanto online, e contribuiu significativamente para o faturamento do comércio.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destacou que os segmentos de móveis e eletrodomésticos, que registraram uma alta de 2,3% nas vendas, foram alguns dos principais responsáveis por esse crescimento, ao lado do setor de hipermercados, que apresentou um aumento de 1%. Apesar do resultado positivo, Moreno adverte que o varejo, de modo geral, perdeu força ao longo de 2025, especialmente em segmentos que são mais sensíveis ao crédito, como veículos, materiais de construção e móveis. A alta taxa Selic tem impactado essas áreas, levando a uma desaceleração nas vendas.
Para o ano de 2025, a expectativa de Moreno é que a economia brasileira cresça em torno de 2,2%. Ela projeta que, com os juros em alta, a economia continuará a desacelerar, embora a previsão seja de um ciclo de cortes nas taxas a partir de março de 2026.
André Valério, economista sênior do Banco Inter, também observou a influência positiva das promoções da Black Friday, notando que os setores sensíveis a essas práticas, como móveis e artigos pessoais, tiveram um crescimento expressivo. Ele complementou que o mercado de trabalho robusto tem contribuído significativamente para esse desempenho, com um aumento de 1,1% nos setores mais voltados à renda.
Matheus Pizzani, do PicPay, ressaltou a importância do grupo de hiper e supermercados, que continua beneficiado pela inflação baixa dos alimentos, embora essa tendência possa mudar nos próximos meses devido a pressões inflacionárias. Ele prevê uma alta modesta de 0,2% para o varejo em dezembro, totalizando um crescimento de 1,8% para 2025.
Por sua vez, o economista Maykon Douglas destacou que o setor varejista de novembro foi positivamente influenciado pela Black Friday, em especial nos segmentos de escritório e eletrodomésticos, que são mais impactados por altas taxas de juros. Ele notou uma desaceleração geral do varejo, mas com esperança de uma performance um pouco melhor no final do ano, ajudada por uma base estatística deprimida.
Essas análises revelam não apenas a dinâmica do comércio no final de 2025, mas também a fragilidade e os desafios que o setor enfrenta em um contexto econômico de juros elevados. A conjuntura atual coloca o comércio varejista em uma posição sensível, onde a adaptação e a resposta a estímulos como a Black Friday são essenciais para manter os números positivos.
