Bispos da Igreja Católica se reúnem em Aparecida e entoam “Bella Ciao” em celebração da resistência antifascista durante Assembleia Geral da CNBB.

No último fim de semana, uma cena inusitada e emblemática ocorreu durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida, interior de São Paulo. Líderes da Igreja Católica, em um momento de confraternização, se reuniram para entoar a famosa canção italiana “Bella Ciao”. Este hino, que se tornou um marco da resistência antifascista contra Benito Mussolini durante a Segunda Guerra Mundial, trouxe um significado especial ao evento, simbolizando a luta pela liberdade e a união em torno de valores democráticos.

A celebração, conhecido como “noite cultural”, foi marcada por um ambiente descontraído, onde os bispos mostraram não apenas sua dimensão religiosa, mas também uma faceta artística e cultural vibrante. Em um vídeo divulgado nas redes sociais da CNBB, é possível ver os religiosos se divertindo enquanto recriam clássicos da música brasileira, como “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. Com o uso de diversos instrumentos, como sanfona, tambor, violão, pandeiro, triângulo e chocalho, os participantes se deixaram levar pela alegria da música, promovendo um momento de coesão e leveza entre os membros da conferência.

Dentre as figuras de destaque presentes na assembleia, estava o bispo dom Fernando Arêas Rifan, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, que idealizou essa celebração no retiro. O arcebispo de Rio Preto, dom Antônio Emídio Vilar, também fez parte dessa reunião histórica, que não apenas tratou de questões eclesiais, mas também abraçou temas sociais e culturais relevantes.

A escolha de “Bella Ciao” como um dos cantos da noite não passou despercebida e reflete um despertar consciente das autoridades católicas sobre a importância de se posicionar em tempos de polarização e divisão política. Ao evocar a luta dos partigiani contra a tirania, os líderes da Igreja demonstraram um desejo de ressoar a mensagem de resistência e solidariedade, propondo uma reflexão sobre a importância de se manter vigilantes frente à opressão e ao autoritarismo. Assim, a Assembleia não apenas celebrou a fé, mas também reafirmou um compromisso com a justiça e a liberdade, valores essenciais à convivência em sociedade.

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