Ao dar detalhes, o ex-bispo relata que participou do esquema e afirma que os milhões de dólares chegavam à Europa em um jato particular

Um ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus afirma que a entidade mantinha um esquema ilegal para operar milhões de dólares no exterior por pelo menos sete anos.
Segundo conta o ex-bispo, o esquema ilegal teria sido utilizado para financiar a instituição e sua emissora de TV, a Rede Record, na Europa. A cúpula da Universal teria criado uma rota para fazer remessas ilegais de dinheiro, ao menos duas vezes por ano, da África para a Europa.
Os dólares, diz, vinham da ‘Fogueira Santa’, uma campanha da igreja em Angola, e cerca de US$ 5 milhões eram despachados por viagem.
Ao dar detalhes, o ex-bispo relata que participou do esquema e afirma que os milhões de dólares chegavam à Europa em um jato particular, depois de terem sido levados, de carro, de Angola até a África do Sul.
Já na Europa, em Portugal, conta ele, os dólares eram trocados por euros e depositados em uma conta no banco BCP como dízimos da igreja. A partir daí, afirma, eram transferidos para outros países europeus.
“A igreja em Portugal sustentava outras igrejas na Europa”, diz Paulo Filho, sobre o motivo da operação.
O dinheiro proveniente de Angola, diz, ficava em sua própria casa em Portugal até ser depositado na conta da igreja, segundo informações da Folha de S.Paulo.
“Eu que ia pegar o dinheiro. Sabia que era ilegal”, diz. O ex-bispo garante que Edir Macedo sabia de tudo.
Há pouco mais de um mês, Paulo Filho passou a postar vídeos na internet com as acusações e o caso foi divulgado pela mídia angolana.
O ex-bispo recebeu a Folha de S.Paulo em sua casa no Rio e mostrou, além de fotos com o Macedo, papéis a respeito de sua relação com a Universal, mas diz não ter provas do que relata.
“Minha prova sou eu. Participei e vi”, diz. “O bispo Edir Macedo já falou em reunião de pastores que, para a obra de Deus, vale até gol de mão.”
Paulo Filho deixou em 2013 a igreja, conta, depois de trair sua mulher. A informação chegou à cúpula da igreja e ele foi rebaixado para funções administrativas.
A Igreja Universal do Reino de Deus afirmou, por sua vez, por meio da assessoria, que “prepara um processo judicial contra o ex-bispo” Alfredo Paulo Filho por calúnia e difamação.
“Portanto, não se pronunciará sobre o assunto fora dos tribunais”, afirmou.
Notícias ao minuto
15/08/16





