A gestão de Trump tem se distanciado da USAID e buscado se aliar a líderes do setor tecnológico, como Elon Musk. Este se tornou uma figura central ao ser colocado à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), uma entidade não oficial que, segundo críticos, serve como um canal para que Musk interaja com agências federais. A relação entre Musk e a USAID é tensa, já que o empresário a designou como uma “organização terrorista”.
Esta dinâmica aponta para uma mudança importante na estratégia de influência dos Estados Unidos. Em vez de confiar em agências tradicionais, o governo agora se inclina a utilizar redes sociais como instrumentos de pressão geopolítica. De acordo com especialistas em política internacional, as big techs exercem um controle significativo sobre o fluxo de informação e podem moldar narrativas globais, influenciando opiniões e decisões políticas.
As plataformas digitais, longe de serem entidades neutras, têm o potencial de impactar cenários políticos e geopolíticos, moldando discursos e censurando vozes. Isso se torna evidente em eventos globais precedentes, como a Primavera Árabe e as tensões políticas em Hong Kong. Essas ferramentas digitais são, portanto, vistas por alguns analistas como recursos mais eficazes em “guerras híbridas” do que as abordagens tradicionais da USAID, que muitas vezes se concentram em financiar ONGs e ajuda externa.
Os críticos enfatizam que o papel das big techs pode ser manipulativo, formando uma “gestão invisível das atenções” onde o controle da informação se torna uma poderosa arma de influência. Isso levanta questões sobre a responsabilidade dessas plataformas e a necessidade de regulamentação em níveis nacional e internacional. No panorama atual, o alinhamento das grandes empresas de tecnologia com a administração Trump não apenas reflete uma adaptação às novas realidades de poder, mas também levanta preocupações sobre a utilização de meios digitais como instrumentos de intervenção e domínio global.
Nesse contexto, observa-se que a convergência de interesses entre o governo dos EUA e as grandes empresas de tecnologia representa um novo capítulo nas relações internacionais, com implicações que vão muito além de simples interações comerciais, contribuindo para um rearranjo significativo na forma como os Estados Unidos projetam seu poder e influenciam eventos globais.
