A iniciativa, que começou em 2019 com o intuito de levar literatura para além dos pavilhões do Riocentro, ganhou vida através de uma temática inspirada na Copa do Mundo: “Livros mudam o jogo”. A primeira visita da nova temporada ocorreu na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, localizada em Osvaldo Cruz, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Nessa ocasião, a escritora Kiusam de Oliveira, renomada por sua literatura afrodidática, ressaltou a importância da representatividade e do fomento ao imaginário desde a infância. Para ela, estabelecer uma conexão com as vivências dos alunos é essencial para transformá-los em sonhadores e realizadores de suas próprias histórias.
As atividades incluem dinâmicas interativas elaboradas por mediadores, que têm a finalidade de incentivar a escuta e a imaginação dos estudantes, ao mesmo tempo que promovem a construção de um repertório literário de forma lúdica. A parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a GL events Exhibitions garante que cada escola receba 100 livros para enriquecer suas bibliotecas.
A diretora da Escola Municipal Maria das Dores Negrão, Aline de Abreu Cardoso Lopes, enfatizou o impacto positivo da iniciativa, ressaltando que a Bienal complementa um trabalho já existente, que inclui projetos de literatura variados. Os alunos, segundo ela, mostram-se cada vez mais ansiosos para explorar o universo literário, estimulados a pesquisar sobre autores e a solicitar novos livros.
O entusiasmo das crianças é palpável, como demonstrou a aluna Lara Braga, de 10 anos, que se sentiu inspirada pelas histórias contadas pela autora. Para ela, a leitura é uma fuga das telas e um caminho para a construção de um futuro mais consciente e imaginativo.
Com o tema “Livros mudam o jogo”, a proposta estabelece uma analogia entre o futebol e a literatura, colocando os autores como artilheiros e cada livro como uma jogada que pode alterar trajetórias. Assim, a leitura se torna uma parte crucial do cotidiano escolar, fazendo frente a um universo acessível e familiar para as crianças.
Os alunos que participam do projeto recebem um álbum de figurinhas especial, com personagens clássicos da literatura mundial, como Dom Quixote e Sherlock Holmes. Essa abordagem lúdica, segundo a curadora do projeto, Carol Sanches, propõe um sentido de pertencimento, tornando a leitura um ato divertido e natural na vida dos estudantes.
Em 2025, o projeto já havia alcançado 11 escolas das redes municipal e estadual, envolvendo mais de 2 mil alunos e causando um aumento significativo de 25% na procura por livros nas bibliotecas das instituições visitadas. Este crescimento ilustra como iniciativas que aproximam a literatura da realidade escolar podem despertar o gosto pela leitura e formar novos leitores críticos e conscientes.
A leitura é um veículo de transformação social, e ações como a Bienal nas Escolas demonstram que o acesso à literatura, aliado a experiências enriquecedoras, pode de fato mudar trajetórias e abrir portas para um futuro mais promissor para as crianças.






