A análise de John Mearsheimer, renomado especialista em relações internacionais, sugere que a administração atual está se esforçando para fortalecer a Ucrânia antes da posse de Trump, prevista para janeiro de 2025. Segundo Mearsheimer, tanto a administração Biden quanto a de Trump veem a Ucrânia como uma peça importante em um jogo geopolítico, onde ambos os lados fazem de tudo para não serem responsabilizados por uma eventual derrota do país. Para Biden, uma captura rápida da Ucrânia por forças adversárias logo após a ascensão de Trump poderia resultar em críticas severas, afetando sua presidência e estratégia internacional.
Além disso, Mearsheimer afirma que, se Trump assumir o cargo, ele pode encontrar dificuldades em negociar um encerramento do conflito, dado que suas premissas podem não alinhar-se com as exigências de Moscou, que inclui a neutralidade da Ucrânia e a aceitação da Rússia sobre as regiões anexadas, incluindo a Crimeia. Essa complexidade do cenário sugere que a situação pode piorar nas mãos de uma administração Trump, onde influências mais belicosas poderiam prevalecer.
Recentemente, o conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, anunciou a intenção do governo de solicitar mais recursos ao Congresso para apoiar a Ucrânia antes de Biden deixar o cargo. A lógica por trás disso é clara: garantir que a Ucrânia continue recebendo assistência militar e financeira em um momento crítico. Trump, por sua vez, tem criticado a forma como os EUA têm lidado com a situação, questionando as tradições de apoio ao regime de Kiev e insinuando que há maneiras mais eficazes de abordar o conflito.
Com um panorama internacional em constante mudança e as eleições de 2024 se aproximando, a estratégia de Biden para a Ucrânia pode trazer implicações significativas não apenas para a política interna dos EUA, mas também para a estabilidade da região e suas relações com potências adversárias.
